O Quarto do Menino

"No meu quarto que eu lia, escrevia, desenhava, pintava, imaginava mil projetos, criava outros mil objetos... Por isso, recebi o apelido de 'Menino do Quarto', título que adotei como pseudônimo e hoje, compartilho neste 'Quarto Virtual do Menino', o que normalmente ainda é gerado em meu próprio quarto". Bem, esse início já é passado; o 'menino' se casou (set/2008); há agora dois quartos, o do casal e o da bagunça... Assim, diretamente do quarto da bagunça, entrem e fiquem a vontade! Sobre a imagem de fundo: A primeira é uma reprodução do quadro "O Quarto" de Vicent Van Gogh; a segunda, é uma releitura que encontrei no site http://www.computerarts.com.br/index.php?cat_id=369. Esta longe de ser o MEU quarto da bagunça, mas em 2007, há um post em que cito o quadro de Van Gogh. Como disse, nada mais propício!!!... Passaram-se mais alguns anos, e o quarto da bagunça, já não é mais da bagunça... é o Quarto do Lorenzo, nosso primogênito, que nasceu em dezembro de 2010!

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quinta-feira, dezembro 29, 2022

ENTRE MIM E MIM

 Let's go! Mais um registro para a posteridade... Pessoa que me lê, espero que esteja relativamente bem... Eu estou relativamente bem. Digo relativamente, pois não há o "estar realmente bem", conscientemente, o "bem" é uma ilusão, enfim...

"Entre mim e mim" é um empréstimo que fiz de uma citação de Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa: "Meu Deus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu? O que é este intervalo que há entre mim e mim?" ("Livro do Desassossego", Bernardo Soares, p. 189).

Encontro-me exatamente neste intervalo, entre mim e mim, e faço o mesmo questionamento: o que é este intervalo entre o que fui e o que serei (serei?)?

[acréscimo, 09/01/2023]. Lendo algumas páginas da obra Poética de Cecília Meireles, encontrei esse: "Noções", que inicia exatamente assim: "Entre mim e mim, há vastidões bastantes/ para a navegação dos meus desejos afligidos. // Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos./ Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.// Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,/ só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.//Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a./Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,/e este abandono para além da felicidade e da beleza.//Ó meu Deus, isto é a minha alma:/qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,/como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera..." (p. 109).

O fato do Brasil ter eleito uma b6e6s6ta em 2018 me fez muito mal, sim, pela be6s6t6a em si, mas muito por todo o contexto que o elegeu e as pessoas que se converteram a essa b6e6s6ta. Mudanças importantes que já estavam em movimento dentro de mim, foram acentuadas...

Então veio a pandemia do coronavírus... A pandemia no Brasil foi um inferno diferente dos outros locais do mundo, se não o pior, um dos piores, sim, pela be6s6t6a no poder e seus filhotes - me refiro a todos, não apenas aos bestinhas de sangue e mesma merda!

Sou um sobrevivente desse cenário apocalíptico brasileiro... não tiveram a mesma "sorte" mais de 660 mil pessoas, especialmente os que perderam a oportunidade da vacinação em tempo hábil, pois sabemos que o "atraso" na chegada da vacina no Brasil esteve envolvido em escândalos...

Essa introdução se faz necessária para tentar montar um cenário. Outro grande trauma que preciso destacar é o modo como saí do trabalho na universidade que me trouxe até Londrina. De abril de 2013 a março de 2018 foram os melhores cinco anos, mesmo com as perdas contratuais sofridas pelos professores temporários.

A chefia que assumiu a partir de março de 2018 transformou um ambiente de trabalho que eu realizava - ainda que em condições precárias, comparada aos professores efetivos, num inferno. Pior, sem ser ajudado ou orientado por exatamente NINGUÉM...

Em janeiro de 2020, decidi sair, pois já estava muito, muito doente... as crises de depressão anteriores, as transformações internas, o cenário político-econômico brasileiro-paranaense...

Paula e eu brincamos que temos saudades do tempo do isolamento social. Sim. Foi incrível, não podemos negar, o tempo em nossa "mansão" na Rua Arthur... (esqueci o nome da rua... e estou ficando preocupado com minha saúde mental...).

Foi um período de medo pelo que estava acontecendo no mundo, porém, um período de mergulhar mais para dentro de mim... Leituras, exercícios de escrita... Escrevi em julho de 2020:

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BOTÃO


Uma coisa é certa:

Ligaram ou desligaram

Algum botão em mim.


Fato!


O que faço com ele?

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O que faço com ele, com o fato de sentir profundamente que esse botão, desligado ou ligado, apartou-me da ideia que eu tinha de mim, da minha existência até então? Até hoje, dois anos e meio depois, não sei responder...


Em agosto de 2020, escrevi outra versão, a mesma ideia do botão, agora um pouco mais estendida:


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BOTÃO ON/OFF


Das duas, uma:

um botão foi desligado

ou um botão foi ligado.


Algo se quebrou aqui dentro;

o que eu era se rompeu,

se desprendeu, não sei mais ser.


Não sou mais eu, não sei quem sou.

Só sei que tudo foi em vão.

Não há razões para ser.

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E ainda escrevi esse:

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A VIDA ME CANSOU


Não me cansei da vida,

A vida que me cansou.

Os sentidos - que nunca existiram,

Se desfizeram todos, como névoa.


Inerte, mente fria e estática,

Num corpo que perambula

E anseia pelo fim de tudo.

O motivo desse martírio todo?

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Não acreditar mais no deus cristão, na bíblia, na igreja não me aflige. É um alívio! Quem ainda está lá e ainda acredita, e é fanático-radical, dirá: "é o que acontece com quem se afasta da igreja, da fé...". E eu não responderei, pois minhas palavras e argumentos serão como jogar "pérolas aos porcos", essa figura de linguagem bíblica tão interessante (sendo meio sarcástico).


Deparo-me com o absurda da vida, do non-sense de existir... Muito obrigado, Camus por suas considerações relevantes e únicas sobre esse absurdo! Óbvio que entendi superficialmente, no senso comum, sem me aprofundar... Quem sabe um dia estudo profundamente!


Estar afastado das redes sociais desde 13/11/2022 e ter ocorrido tantos traumas de lá para cá, por exemplo, ser reprovado na prova didática para a Unespar de Apucarana, dia 25/11/2022. Teria tanto para escrever sobre vivenciar o processo eleitoral, primeiro turno, segundo turno... o nervoso que passei de estar na rodoviária de Curitiba, no dia 31/10/2022 desde as 6h30 da manhã e perto das 11h00 a empresa de ônibus anunciar que as viagens foram canceladas por conta dos bloqueios nas estradas, por conta dos bestinhas/merdinhas descontentes com o resultado do pleito no dia anterior... e olha que já foram tantos fatos esdrúxulos de lá para cá, por exemplo, terrorismo, com a tentativa de detonar um caminhão-bomba no aeroporto de Brasília, semana passada...


Entretanto, vim para o blog com o objetivo de registar os presentes que ganhei de Natal e o que rascunhei hoje, após a leitura e cópia manuscrita de uma poema de Cecília Meireles - sempre ela!


Passamos o Natal em casa. Carro quebrado, esperando o conserto do motor... Caro! Paula tinha comprado jogos para os meninos e eles perguntaram se nós não ganharíamos presentes... Paula foi ao centro da cidade no sábado, 24 de dezembro e comprou os livros de Cecília para mim e uma camiseta do Mickey para ela.








Ontem, comecei a ler e fazer cópias manuscritas de alguns poemas, estrofes ou versos marcantes. Hoje, ao ler e copiar "Conveniência", tive mais um episódio de "desejo fazer assim um dia". Assim, transcrevo abaixo o poema e o que escrevi.


CONVENIÊNCIA

CONVÉM que o sonho tenha margens de nuvens rápidas
e os pássaros não se expliquem, e os velhos andem pelo sol,
e os amantes chorem, beijando-se, por algum infanticídio

Convém tudo isso, e muito mais, e muito mais…
E por esse motivo aqui vou, como os papéis abertos
que caem das janelas dos sobrados, tontamente…

Depois das ruas, e dos trens, e dos navios,
encontrarei casualmente a sala que afinal buscava,
e o meu retrato, na parede, olhará para os olhos que levo.

E encolherei meu corpo nalguma cama dura e fria.
(Os grilos da infância estarão cantando dentro da erva…)
E eu pensarei: «Que bom! nem é preciso respirar!…»

Cecilia Meireles, Viagem

"Sonhar é livre, é gratuito e, não necessariamente precisa ou irá se realizar, ainda que se gaste até o último tostão e se desperdice os anos de vida em busca dos sonhos.


Enquanto copiava e meditava sobre o poema acima, eu que sonhei por várias vezes realizar projetos que envolvam vida e obra de Cecília Meireles, um filme biográfico, por exemplo, as cenas seriam quase todas elas, inspiradas nos poemas e crônicas.


Li que Cecília faleceu às 15h00 do dia 09 de novembro de 1964, em seu quarto, no bairro Cosme Velho, Rio de Janeiro.


O filme poderia começar ou terminar com base nesse poema (Conveniência), boa parte das cenas aceleradas, até culminar em seu espírito chegando em sua casa, na sala com o retrato, ela deita e encolhe o corpo - "numa cama dura e fria" - e ouvimos os grilhos (ou grilos) cantando e a câmera se aproxima dos olhos de Cecília que estão fechados e num clímax, eles se abrem de repente, como se voltando a respirar... e o filme começa ou termina..."





Estendendo o rascunho acima, em outros momentos em que penso sobre o filme que narrará a história de vida de Cecília, a referência a alguns poemas serão obrigatórias, como "Retrato"... As viagens de Cecília ao exterior, todas elas... as muitas viagens a Ouro Preto, para escrever o "Romanceiro da Inconfidência". Cecília menina, a cena e situações narradas no poema "Desenho": "Fui morena e magrinha como qualquer polinésia,/ e comia mamão, e mirava a flor da goiaba". Vó Jacinta cantando e cosendo na sala e a menina Cecília a admirando profundamente... "E minha avó cantava e cosia. Cantava/ canções de mar e de arvoredo, em língua antiga./ E eu sempre acreditei que havia música em seus dedos/ e palavras de amor em minha roupa escritas".

Da infância, entre tantas outras preciosidades que imagino é a convivência com sua amiga Josefina e que falece, num texto em "Giroflê, Giroflá", com o título "Josefina", Cecília descreve o impacto da morte de Josefina: "Encontrei-a no mais belo jardim do mundo [...]. Era, porém, o mais belo jardim do mundo, porque Josefina passava por ali, e suas saias crepitavam nas folhas secas e seus dedos tão brancos aramavam raminhos com malvas, miosótis, amores-perfeitos, - raminhos de trazer ao peito, de colocar diante dos santos, de pousar as mãos dos mortos..."

Enfim... vou ali aprender como se escreve um roteiro de um longa-metragem...


E encerro este registro de fim de 2022, com ela, sempre ela, Cecília Meireles, com dois trechos da crônica "A quinhentos metros":


"A quinhentos metros, os vossos belos olhos desaparecem; e essa claridade do vosso rosto; e a fascinação da vossa palavra. É uma pena (eu também acho que é uma pena!) mas, a quinhentos metros tudo se torna muito reduzido: sois uma pequena figura sem pormenores; vossas amáveis singularidades fundem-se numa sombra neutra e vulgar. Ao longe, caminhais como qualquer pessoa - e até como certas aves: é o que resta de vós: esse ritmo, na imensa estrada que também se vai projetando, estreita e indistinta, sobre o horizonte.


[...]


A quinhentos metros, na verdade, há muita ausência, vamos acabando muito depressa. Pensai que, geralmente, neste mundo, há sempre cerca de quinhentos metros de uma pessoa para outra! Somos só desaparecimento. E apenas quando conseguimos ficar, também, a uns quinhentos metros de nós mesmos, encontramos algum sossego. Porque, então, é a vez dos nossos tormentos mudarem de proporções e aspecto. De serem vistos só de longe, sem pormenores, sem voz, sem ritmo: nem mês de maio, nem flores, nem arroio. Talvez a memória serenada. Talvez nem a memória… - É assim em quinhentos metros!"


MEIRELES, Cecília. A quinhentos metros. In: Quadrante. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962, p. 34-36.


Entre mim e mim, um intervalo de quinhentos metros!


A bientôt

quinta-feira, outubro 01, 2020

FUNERÁRIA SANTA LUZIA, SUA MORTE É A NOSSA ALEGRIA



Afirmo de antemão que não é objetivo ofender ninguém. Desejo apenas refletir sobre a morte como um negócio. Especialmente, nesses tempos em que a morte figura com mais frequência do que antes da pandemia causada pelo covid-19.

Na pandemia levantou-se a questão: será mais importante preservar as vidas das pessoas ou a economia que movimenta o mercado? Isolamento total ou parcial, etc.

De modo geral, fico a pensar, o que é mais vantajoso, em termos de negócio, no capitalismo, o que traz lucro seguro. Não sou economista, cientista político, muito menos estou defendendo o socialismo ou o comunismo. Quero simplesmente pensar na lógica que nos é imposta.

Se levantarmos as questões básicas para todo e qualquer ser humano, para a manutenção de uma vida confortável, eu listo: 1) alimentação; 2) trabalho; 3) moradia; 4) saúde; 5) educação; 6) lazer e 7) segurança. Parece que algumas questões caminham paralelas e são co-dependentes, por exemplo, saúde e segurança são necessários para trabalhar, conseguir comprar alimentos e pagar aluguel ou a prestação da casa e outras despesas.

Educação e lazer são necessários também para a manutenção da vida confortável, porém, dependendo do contexto social, econômico, podem ser entendidos como “supérfluos” ou “desnecessários”.

Pois bem, se tivesse a oportunidade de abrir um negócio, em que área seria? Uma premissa – das tantas outras – do capitalismo é criar a necessidade do consumidor para que ele deseje aquilo que ele não precisa, a priori. A pior premissa desse sistema é transformar em mercadoria com grande valor agregado, o que é item básico para a manutenção da vida: alimento, saúde e, claro que direi Educação. Educação básica, especialmente, nunca deveria ser mercadoria.

Abrir um comércio de alimento, pensando no alimento preparado, pronto para ser consumido. As pessoas têm vidas agitadas, comem fora de casa e, dependendo do lugar vale muito a pena, não comprar os itens e preparar aa refeições em casa, pois ainda tem o gasto com o gás da cozinha.

Porém, culinária, cozinha é algo que não me agrada. Tenho um amigo, cuja família toda trabalha nesse ramo. Vendem uma comida caseira deliciosa e compramos alguns dias na semana. Ir ao supermercado, comprar arroz, feijão, carnes, verduras e legumes. Preparar os alimentos. Disponibilizá-los no tempo e temperaturas adequados, acertar tempero e agradar os clientes. Lavar as panelas e demais utensílios usados na preparação; lavar pratos e talheres, no caso de clientes que consomem no local. Não! Definitivamente não abriria um comércio de alimentos.

Educação. As escolas particulares não têm alunos, têm clientes. Em sua maioria, visam o lucro, portanto, os professores não são remunerados adequadamente; possuem uma carga de trabalho altíssima, junto com um pressão psicológica muito forte. Já comercializei ensino, sim. Cursos de Libras. Porém, é um conhecimento muito específico; faz o curso e paga quem quer.

Saúde. Segurança. Lazer. Não vou me aprofundar em todos esses itens. A carga tributária no Brasil é altíssima. Sim, sabemos disso. Os impostos, a priori, deveriam proporcionar serviços públicos de qualidade a toda população: Educação, Saúde, Segurança, Transporte, tudo de qualidade. Porém, sabemos que a corrupção e a má gestão dos recursos públicos, basicamente, abrem duas vias bem distintas.

A primeira via: abre-se a “oportunidade” para a iniciativa privada lucrar com Educação particular, Planos de Saúde e de outros setores serem comandados e balizados pela iniciativa privada. A segunda via é: o pobre, considerando o pobre que tem trabalho formal, paga aluguel ou a prestação da casa, outras despesas – água, luz, alimentação, com os filhos na educação pública; a ele e seus familiares “resta” a saúde pública, que pode – e deve – ser eficiente.

Entretanto, os partidos políticos e seus representantes eleitos legislam e executam a legislação para o sucateamento desses serviços. E manipulam as informações para fazer a população acreditar que os serviços públicos são as verdadeiras fontes de mazelas da economia no país. A população, que não tem educação de qualidade, acredita e vota no lobo mau que “cuida” dos porquinhos.

Qual é o ramo mais lucrativo? Vamos afunilar a escolha: qual é o ramo mais lucrativo, mesmo tem tempos de dificuldades econômicas?

Ao considerar as poucas argumentações acima, creio que não é o ramo da alimentação o mais lucrativo, afinal, tem pessoas que não compram comida pronta, compram no mercado e fazem em casa. Tem pessoas que nem comem em casa, pois não tem casa. Tem pessoas que não tem casa, nem comem todos os dias e, aos milhares, morrem!

Saúde só é um negócio lucrativo para quem é dono do negócio, que precisam de clientes que paguem pelos serviços de saúde que vendem. Quem não tem plano de saúde, usa o SUS. Quando o SUS falhar, como eu disse, por má gestão dos recursos, corrupção e tantos outros crimes, os pobres adoecem, a doença pode agravar e, morrem!

Educação, já comentei acima, deveria ser universal, gratuita e de qualidade para todos. Até mesmo as universidades. O que não significa que não deva existir faculdades e universidades particulares. O que não pode é querer destruir a universidade pública para privilegiar o mercado, “educação como mercadoria”. O que não pode é dinheiro público ser injetado nas particulares, como foi o PROUNI, pois, ainda que o objetivo seja justificável – oportunizar o acesso do pobre ao ensino superior – que o poder público faça isso por meio da universidade pública e não privada. Vamos investigar os desvios e abusos que ocorreram com as verbas destinadas ao PROUNI e FIES?

Não ter educação não mata, a priori! Porém, ouso afirmar que a médio e longo prazo, a ignorância é uma arma letal e tem matado aos milhares também. Os mais vulneráveis são os pobres. Morrem os pobres alfabetizados, os pobres analfabetos, os pobres sempre morrem!

Segurança pública, bah. Não vou me estender mais.

A morte é, em suma, o ramo mais lucrativo! Pobres e ricos morrem – mais pobres que rico, pois proporcionalmente, há mais pobres do que ricos. Pobres e ricos querem enterrar com dignidade seus mortos. Para se diferenciar do pobre, os ricos criaram outras opções, como a cremação, como opção ecologicamente correta, inclusive.

Mesmo em tempos de guerra, eu estava tentado a dizer que a morte não é lucrativa. Como não? O que são as guerras, senão produção em massa da morte. Pode-se não lucrar com caixões e rituais, afinal, corpos e corpos são jogados em valas coletivas. Basta lembrar o holocausto – é dever nunca esquecermos!

A primeira vez que ouvi a frase do título “Funerária Santa Luzia, sua morte é a nossa alegria!”, a pessoa disse atendendo o telefone, como pegadinha. Achei de uma deselegância, de uma afronta, de um desrespeito com a morte. Passados alguns anos, vivido o que vivi – individualmente e, também observando o comportamento da humanidade nesses tempos de pandemia, tendo o Brasil como um dos piores países a enfrentar o problema, chego a cogitar: por que não?

Claro que não! Não tenho estrutura para trabalhar diariamente com a morte e ainda mais lucrando com isso. Enterramos um passarinho, enterramos o Blup Blup (peixinho do Lorenzo), enterramos os gambás... quantos e quantos velórios e enterros de familiares, amigos e conhecidos...

Viver e morrer para os humanos não é tarefa pouca!