O Quarto do Menino
"No meu quarto que eu lia, escrevia, desenhava, pintava, imaginava mil projetos, criava outros mil objetos... Por isso, recebi o apelido de 'Menino do Quarto', título que adotei como pseudônimo e hoje, compartilho neste 'Quarto Virtual do Menino', o que normalmente ainda é gerado em meu próprio quarto". Bem, esse início já é passado; o 'menino' se casou (set/2008); há agora dois quartos, o do casal e o da bagunça... Assim, diretamente do quarto da bagunça, entrem e fiquem a vontade! Sobre a imagem de fundo: A primeira é uma reprodução do quadro "O Quarto" de Vicent Van Gogh; a segunda, é uma releitura que encontrei no site http://www.computerarts.com.br/index.php?cat_id=369. Esta longe de ser o MEU quarto da bagunça, mas em 2007, há um post em que cito o quadro de Van Gogh. Como disse, nada mais propício!!!... Passaram-se mais alguns anos, e o quarto da bagunça, já não é mais da bagunça... é o Quarto do Lorenzo, nosso primogênito, que nasceu em dezembro de 2010!
quarta-feira, novembro 03, 2021
SOBRE "LES ÎLES", DE JEAN GRENIER
sábado, outubro 09, 2021
terça-feira, outubro 05, 2021
Um personagem de filme ou
série, ao ser indagado sobre ter lido um autor contemporâneo, responde: “Só
leio gente morta!”.
Respeito a escolha. Tubo bem!
Eu leio “gente morta” e tenho meus mortos preferidos, mas também leio gente
viva, vivíssima.
Ontem recebi em casa os
livros “Mulher emudecida” e “Mulher umedecida”, ambos de Maria Mortatti.
Maria Mortatti foi minha
professora de graduação em Pedagogia, no ano de 2002. Também foi minha
professora numa disciplina na pós-graduação, em 2006, quando eu estava no
primeiro ano do mestrado.
A admiração pela professora
e pesquisadora é real e significativa desde a primeira aula lá na graduação,
com a disciplina “Didática II”, ocasião em que pediu um dos trabalhos
acadêmicos que mais me marcou: relatar a trajetória escolar. Trabalho que guardo
com carinho, cujas tramas que envolvem a escrita, devolutiva e reverberações
foram narradas em vários outros momentos, como num texto em meu Blog.
Considero essa introdução
importante para desenhar minimamente o cenário que me ajudará a refletir sobre
as leituras dos livros anunciados acima.
A conexão que criei com a
figura/imagem da professora/pesquisadora da “História do ensino da leitura e da
escrita no Brasil”, na relação professora-aluno, de respeito, admiração, muito
tem a ver com o fato da professora ser formada em Letras, ter atuado como
professora de Literatura em escolas públicas e, nas aulas da graduação/pós-graduação
exalar literatura pelos poros.
E ainda, à distância, sigo-a
pelo Facebook, com algumas oportunidades de interação. Foi pela rede social que
soube do lançamento dos livros. No turbilhão desse momento que afligiu a
humanidade e continua a nos castigar aqui no Brasil, somente agora consegui
adquirir e ler os livros. Chegamos assim às minhas percepções e impressões das
leituras.
Um é prosa, outro é poesia. Confesso
que prosa é mais atrativa para mim, por gostar muito de histórias. Poesia é uma
paixão recente, que tenho buscado me alimentar, muito pelos poemas de Cecília
Meireles, e mais recentemente com poemas de Rainer Maria Rilke. Também tenho o
livro “Breviário amoroso de sóror Beatriz”, outro livro de poemas de Maria
Mortatti.
Os contos no livro “Mulher
emudecida” que mais me impressionaram narram episódios da infância/juventude da
personagem principal. A narrativa me ajuda a compor com outros elementos e a
ratificar uma hipótese de algum tempo: Maria é uma pessoa superdotada, com
múltiplas inteligências e sobre-excitabilidades bem marcantes.
Os contextos histórico,
social e familiar dessa menina/adolescente não foram propícios e adequados para
todo o arcabouço de desejos, habilidades e talentos fora da curva, mas Maria
não pode esconder o que lhe é natural: querer conhecer, desbravar, provar, ser
intensa em tudo, no desejo pelo tamanco, pela boneca Belinha, de ser bailarina.
As memórias e eventos
resgatados nos contos contam como a menina/adolescente/jovem foi sendo proibida
de ser quem era. Para mim, sempre nostálgico e revisitando episódios da
infância, ler essas memórias de não apenas uma autora contemporânea, viva,
vivíssima, mas minha professora e uma professora querida, admirada por sua
postura e competência, essas leituras ganham outro significado.
Encerradas as leituras eu
humanizo a figura/imagem cristalizada em meu imaginário na relação
professora-aluno: uma professora de carne e osso, com casa e rotinas (que não
mora na escola e que não se dedica 24 horas do dia aos alunos, ao ensino, essas
ideias todas fantásticas que as crianças criam sobre seus professores, mesmo no
ensino superior, não essas, mas criamos outros idealismos sobre nossos
professores, os maravilhosos e os péssimos).
Recomendo a leitura de ambos
os livros e não vejo a hora de ter em mãos o terceiro livro que completa a
trilogia de “Essa Mulher” (“Mulher enlouquecida”, uma novela). As páginas, da
prosa e dos poemas são regadas de outras referências literárias e de outras
Estéticas, em outras linguagens como músicas clássicas e pinturas.
Em suma: a vida real, do dia
a dia, transformada em palavras, transportada para a literatura, como para extrair
beleza e leveza dessa vida que não é um conto de fadas, muito mais um conto
cheio de falhas (como li dias desses nas redes sociais), falhas nossas que nos
tornam quem somos, nossos “defeitos” estruturais.
Maria, mulher, professora,
pesquisadora, autora, escritora, poeta. Parabéns pela concretização desse
projeto forte e necessário: “Essa Mulher”!
E a todas as mulheres da
minha vida e do mundo: você é o sexo forte, o mundo só é possível pela sua
sensibilidade. Avante!
sexta-feira, setembro 24, 2021
MEUS QUATRO RG’s BRASILEIROS
1990 2007 2011 2021
O primeiro é de e 1990. Eu estava com nove anos e meio. Lembro que a foto 3x4 foi tirada na Casa Alvorada, um armarinho sempre em expansão lá no bairro onde morei até meus 27 anos, na minha cidade natal, Marília-SP. Roupa de passeio, cabelo penteado, foto tirada, esperar um dia para revelar e buscar depois.
Acordei cedo, minha mãe disse: “ – Vai lá na Júlia do Mané (proprietários do armarinho), pegar as fotos para levar na escola. ao chegar na Júlia: “ – Sua foto queimou, temos que tirar outra agora”. “ – Agora?”. “ – Sim, agora!”. A roupa de dormir (nunca tivemos pijama, só roupas “de dormir”), cabelo despenteado, foto tirada e mais tarde revelada.
Está a prova na foto do primeiro RG: o André de nove anos e meio, cabelos desarrumados, camisa polo com botões abertos. Guardo com muito carinho o documento e todas as lembranças desse episódio, como os dedos sujos de tinta para que as impressões digitais fossem registradas em nossa ficha, os fichados corriam para o lavatório para tirar a tinta dos dedos.
Acredito que todos que estudávamos no SESI no. 308, em Marília-SP, naquele ano de 1990 e tiramos o RG, temos o número de registro muito parecidos. O número do RG da minha irmã, por exemplo, aluna da 2ª. série naquele ano e o meu são diferentes apenas nos últimos três números e o dígito (aquele número solitário depois do hífen).
O documento guardado ainda revela outros detalhes como minha letra de aluno da 3ª. série: eu acentuei “André” e “Onório” e não “Luis”. Entretanto, me acostumei a acentuar os dois nomes e o sobrenome. Questionei a agente que emitiu meu RG paranaense (o último e mais recente) a falta do acento agudo no “Onorio”. “ – Não posso mudar, coloco como está na certidão de casamento” (que copiou a certidão de nascimento – confirmo na fotocópia que tenho da original, e a original está no cartório civil, lá em Marília-SP).
O meu segundo RG, ainda paulista, mesmo número, com data de 01 de fevereiro de 2007, foi motivado pela necessidade de provar que eu era aquele menino do primeiro RG; as pessoas não acreditavam mais que aquele menino fofinho de nove anos era eu mesmo.
O terceiro RG, emitido em 01 de junho de 2011 e era, até então o RG utilizável. A diferença, para além da foto e da assinatura de gente grande, mudou também as informações sobre o meu registro civil – não mais o livro A, desde 2008, registrado no livro B. A camisa que uso na foto é uma laranja que ganhei da Paula quando éramos recém namorados.
Meu quarto e, por ora, meu último RG tem data de emissão: 15 de setembro de 2021, ou seja, escrevo esse texto no mesmo mês e ano de emissão do RG. A motivação para um novo RG? Tem dois motivos: 1) Meu novo local de trabalho – instituição estadual de ensino superior, na relação de documentos para a contratação exigia RG emitido no próprio Estado. Devido à pandemia, estavam aceitando RG de outro Estado, porém com o compromisso de logo emitir o RG paranaense. Nós, brasileiros podemos ter 27 RGs, um registro para cada Estado, mais o Distrito Federal - sim, desnecessário, mas estamos no Brasil!
Confesso que foi o segundo motivo que me fez correr no site de agendamento do Instituto de Identificação do Paraná, com atendimento reduzido pela covid-19, demorei dois dias para conseguir agendar. O segundo motivo é para o reconhecimento da cidadania italiana, no Consulado Italiano de Curitiba, que exige que o RG tenha menos de 10 anos de expedição e o meu RG paulista completou 10 anos em 01/06/2021.
O processo de reconhecimento da cidadania italiana: um sonho de algumas décadas, sempre me pareceu impossível e agora está tão próximo de se tornar realidade. Claro, taxas, traduções, apostila de documentos, uma fortuna! Porém, inspira, expira, inspira, expira... tenho até 17 de dezembro de 2021 para apresentar os documentos no vice-consulado italiano aqui em Londrina-PR.
Lá em 2006 e 2007 quando trabalhei (e gastei) com afinco reunindo informações, certidões de nascimento, casamento e óbito da minha árvore genealógica paterna (aliás, tenho cadastro em pelo menos dois sites com esses propósitos de reunir dados sobre os antepassados e pessoas da família), aprendi que nossa passagem pela Terra, ao menos aqui no Brasil, fica registrada nos livros alfa-numéricos (A-16, B-116, C-0, ainda não morri e não saberei o número do meulivro C).
Todas as certidões que comprei nessa época não eram de inteiro teor, como exigido para o processo de reconhecimento da cidadania. Desde 2019, aos poucos vinha pedindo novas certidões, agora em inteiro teor. Outro contratempo nos idos de 2006/2007, cujo equívoco descobri anos mais tarde é que a certidão de nascimento do antenato italiano que eu tinha em mãos não era do meu bisavô.
Para ter certidão italiana de nascimento correta gastei mais dinheiro para uma assessoria localizar e mais outro tanto para outra pessoa solicitar, buscar e me enviar. Sim, muito dinheiro desembolsado.
São pessoas diferentes, mesmo nome e sobrenome, mesmo pai e mãe, porém, com datas e locais de nascimento diferentes. A primeira certidão que eu recebi quando paguei um jovem brasileiro recém chegado na Itália para procurar e enviar o documento para mim é de “PRIMO SANTE CONEGLIAN”, nascido em 02 de novembro de 1893, em Villadose. O meu bisavô foi “PRIMO VINCENZO CONEGLIAN”, nascido em 13 de agosto de 1890, no comune de Ceregnano, também na Província de Rovigo, Itália.
Meu bisavô Primo Vicente Coneglian se casou com minha bisavó Maria Carolina Dadalto Coneglian, tiveram 11 filhos, dentre os quais meu avô Luiz Coneglian. Meu avô faleceu quando meu pai, o filho caçula de sete, estava com 17 anos. Foi casado com minha avó Olinda Brichi Coneglian. Meu pai se casou com minha mãe e eu sou o filho mais velho, tenho uma irmã e um irmão.
Por minha vez, casei-me com Paula Rosario Cruz Coneglian, boliviana, de Oruro, e temos dois filhos: Lorenzo e Benjamin. Algumas curiosidades sobre o registro civil na Bolivia: o carnet de identidad precisa ser renovado periodicamente, quando um casal oficializa o casamento no civil, eles recebem a “libreta da família” e conforme nascem os filhos, eles vão sendo acrescentados na libreta. Paula disse que sua mãe nunca teve a libreta por não ter sido casada oficialmente.
Mais um dos muitos procedimentos formais e burocráticos que marginalizam e discriminam pessoas e famílias que não se encaixam no padrão de família imposto pelo Estado e igreja cristã: homem, mulher e filhos felizes como numa propaganda de margarina tomando café da manhã num domingo, numa casa linda, com uma mesa farta!
Bem, a motivação inicial do texto foi escrever sobre meus quatro RGs e a discussão, para além das descritas acima: minha nostalgia em relação ao primeiro RG, todos os desdobramentos que impeliram a renovação dos RGs paulista e agora meu novo RG (Estado diferente, registro diferente), as mudanças no código civil brasileiro, muitos avanços como a não obrigatoriedade da mulher alterar seu nome incluindo o nome do marido ou ainda permitindo que o homem adote o sobrenome da esposa (alguns já usam essa possibilidade com outras motivações, como adotar o sobrenome japonês da esposa para ir ao Japão e trabalhar como dekassegui).
Desejo que o texto possa provocar outras linhas de pensamento, raciocínio e reflexão. Suscitar as memórias particulares de cada leitor em relação aos registros civis e sua história no mundo.
Meu grande sonho e há décadas quase inalcançável, o reconhecimento da cidadania italiana, agora tão próximo, sinto uma mescla de enorme de sentimentos. Pergunto-me: e quando for real e estiver com minha carteira de identidade italiana e passaporte europeu emitidos em minhas mãos?
Não queria que fosse acontecimento tão esperado o único motivo para trazer alegria e esperança para os meus dias... Aguardarei, sem criar expectativas conforme minha nova filosofia de vida – sem expectativas, para uma vida mais realista.
Quando
for real, processarei o novo fato e a vida segue, até minha existência se
encerrar e ser registrada no livro C. bem: Basta a cada dia o seu mal!
terça-feira, agosto 10, 2021
DIA INTERNACIONAL DA SUPERDOTAÇÃO - 10 DE AGOSTO
segunda-feira, agosto 09, 2021
DA SOLIDÃO, Cecília Meireles
No entanto, haverá na terra verdadeira solidão? Não estamos todos cercados por inúmeros objetos, por infinitas formas da Natureza e o nosso mundo particular não está cheio de lembranças, de sonhos, de raciocínios, de idéias, que impedem uma total solidão?
Tudo é vivo e tudo fala, em redor de nós, embora com vida e voz que não são humanas, mas que podemos aprender a escutar, porque muitas vezes essa linguagem secreta ajuda a esclarecer o nosso próprio mistério. Como aquele Sultão Mamude, que entendia a fala dos pássaros, podemos aplicar toda a nossa sensibilidade a esse aparente vazio de solidão: e pouco a pouco nos sentiremos enriquecidos.
Pintores e fotógrafos andam em volta dos objetos à procura de ângulos, jogos de luz, eloquência de formas, para revelarem aquilo que lhes parece não só o mais estático dos seus aspectos, mas também o mais comunicável, o mais rico de sugestões, o mais capaz de transmitir aquilo que excede os limites físicos desses objetos, constituindo, de certo modo, seu espírito e sua alma.
Façamo-nos também desse modo videntes: olhemos devagar para a cor das paredes, o desenho das cadeiras, a transparência das vidraças, os dóceis panos tecidos sem maiores pretensões. Não procuremos neles a beleza que arrebata logo o olhar, o equilíbrio de linhas, a graça das proporções: muitas vezes seu aspecto - como o das criaturas humanas - é inábil e desajeitado. Mas não é isso que procuramos, apenas: é o seu sentido íntimo que tentamos discernir. Amemos nessas humildes coisas a carga de experiências que representam, e a repercussão, nelas sensível, de tanto trabalho humano, por infindáveis séculos.
Amemos o que sentimos de nós mesmos, nessas variadas coisas, já que, por
egoístas que somos, não sabemos amar senão aquilo em que nos encontramos.
Amemos o antigo encantamento dos nossos olhos infantis, quando começavam a
descobrir o mundo: as nervuras das madeiras, com seus caminhos de bosques e
ondas e horizontes; o desenho dos azulejos; o esmalte das louças; os
tranquilos, metódicos telhados... Amemos o rumor da água que corre, os sons das
máquinas, a inquieta voz dos animais, que desejaríamos traduzir.
Tudo palpita em redor de nós, e é como um dever de amor aplicarmos o ouvido, a
vista, o coração a essa infinidade de formas naturais ou artificiais que encerram
seu segredo, suas memórias, suas silenciosas experiências. A rosa que se
despede de si mesma, o espelho onde pousa o nosso rosto, a fronha por onde se
desenham os sonhos de quem dorme, tudo, tudo é um mundo com passado, presente,
futuro, pelo qual transitamos atentos ou distraídos. Mundo delicado, que não se
impõe com violência: que aceita a nossa frivolidade ou o nosso respeito; que
espera que o descubramos, sem anunciar nem pretender prevalecer; que pode ficar
para sempre ignorado, sem que por isso deixe de existir; que não faz da sua
presença um anúncio exigente "Estou aqui! estou aqui!". Mas,
concentrado em sua essência, só se revela quando os nossos sentidos estão aptos
para descobrirem. E que em silêncio nos oferece sua múltipla companhia, generosa
e invisível.
Oh! se vos queixais de solidão humana, prestai atenção, em redor de vós, a essa prestigiosa presença, a essa copiosa linguagem que de tudo transborda, e que conversará convosco interminavelmente.
MEIRELES, Cecília. Janela Mágica. 3. Editora Moderna: 2003, p. 48-51.
quinta-feira, julho 08, 2021
PERDOE O ESCAMBAU
Há alguns anos escrevi um poema intitulado “Perdoe se eu morrer”.
Sinto-me compelido, pelos meses de terror que vivemos com a pandemia e o crescente número de mortos no Brasil nesses primeiros meses de 2021, a repensá-lo, reescrevê-lo, reeditá-lo.
Perdoe o escambau!
Se eu morrer, serei mais um número na estatística divulgada todos os dias. E nada muda!
Se eu morrer, os verdadeiros culpados continuarão ilesos, debochando, chamando as dores de tantos enlutados de mi mi mi.
Se eu morrer, algumas pessoas que me conheceram em vida, ficarão tristes, farão homenagens das redes sociais, colocando fotos, e contando situações que vivemos juntos, desejarão “meus sentimentos”, “meus pêsames” aos meus familiares. E espero que tenham dor na consciência aqueles que votaram no presidente-genocida, mas será tarde, como já é tarde para tantos que morreram.
Muitos desses mortos, vítimas da própria escolha por terem votado nesse energúmeno, terem acreditado no tratamento precoce, aglomerado e não obedecerem às normas da OMS e demais normas restritivas.
Se eu morrer, minha família irá sentir todos os dias minha falta, passado o torpor da perda, a rotina é mais cruel para aqueles que ficam: ele acordaria essa hora, tomaria banho, faria o café, talvez iria na padaria se não tivesse pão.... mas deverão seguir sem mim. Deverão lutar pelas suas próprias vidas e se puderem, pelas vidas das pessoas desfavorecidas. Há tanto por fazer nesse mundo.
Façam por vocês, façam pelas pessoas, não por instituições, não em nome de ninguém, não pela promessa de um porvir em qualquer paraíso não terreno. A vida é aqui e agora e está sendo desperdiçada, como se as vidas das pessoas não valessem nada!
Se eu morrer de covid-19, vocês que permaneceram vivos, lutem para que os responsáveis, presidente e todos seus asseclas sejam responsabilizados civil e penalmente o quanto antes, por mim e por todos que morreram vítimas da incompetência e ingerência programada e proposital para deixar morrer, para matar!
Peço, suplico: valorizem nossas escolas públicas, universidades públicas, os professores, Educadores, o Sistema Único de Saúde, as demais instituições públicas. Valorizem a Ciência! Estudem, leiam, não tenham medo do PT, da Esquerda, do Comunismo sem antes entenderem o que está em jogo. Cresçam, amadureçam, participem das instâncias de decisões de escolha, não deixem escolherem por vocês.
A ingenuidade, o ódio gratuito e fantasioso ao PT nos trouxe para esse cenário de terror. Não estou defendendo o PT. Estou chamando a atenção para a maturidade. Analisar as situações de modo mais profundo. Estou cansado, esgotado. Perdi o encantamento com tudo. Sigo vivo pela minha família, esposa e filhos. Paula é forte! Não queria ter perdido o encantamento, entretanto, não foi uma escolha. Uma série de fatores me trouxe para esse nada, situações e pessoas!
Talvez, um dia, no futuro, caso não tenha morrido de covid ou qualquer outro motivo, ao reler esse texto eu possa rir, estar numa situação melhor que a atual. Sofrimento é ter consciência crítica num mundo que é essencialmente cruel!
E você, lendo esse texto, é porque está respirando. Encontre a missão da sua vida. Faça a diferença na vida. Não exija que ninguém seja como você, não deixe que as pessoas te coloquem em caixas ou formas pré-estabelecidas. Be brave! Be happy!
André
Coneglian
23.03.2021
p.s.:
298.676 mortos até 23 de março de 2021. Hoje, 08 de julho de 2021 são mais de 529
mil mortos, ou seja, 230.324 pessoas morreram desde a escrita desse texto até a data de hoje, quando o compartilho aqui, em pouco mais de três meses. Perdi amigos, amigos perderam pais, cônjuges, perdi ex-aluno, alunos perderam pais... nos "habituamos" aos muitos óbitos...
quarta-feira, abril 14, 2021
"Cartas do Menino do Quarto para o Mundo", de André Coneglian (Editora Apprehendere, 2020)
Sim, sou a pessoa mais suspeita para falar do meu próprio livro... Não está perfeito. Depois de pronto e acabado, o desejo é arrumar aqui, acrescentar ali, diminuir isso e aquilo.
O livro foi o modo que escolhi fazer as pazes com o passado acerca da "descoberta" da minha superdotação aos 37 anos de idade. A escrita e todo processo até a finalização do projeto foi uma terapia, uma jornada catártica.
Como escrevi na postagem de ontem (13/04/2021) no Facebook acerca da passagem de um ano do lançamento do livro:
domingo, abril 11, 2021
O Jeremias - filme mexicano
“O Jeremias” é um filme mexicano produzido no ano de 2015; na sinopse disponibilizada em Português já encontramos algumas incoerências e incompreensões acerca da AH/SD (quando se refere ao protagonista como “gênio”), porém, por meio do gênero comédia, trata de modo simples e, ao mesmo tempo profundo a temática:
Jeremias
(Martín Castro) é uma criança de 8 anos extremamente inteligente. Quando
descobre que é um gênio, com um Q.I. acima do normal, ele luta para ser bem
sucedido, apesar da ignorância e pobreza da sua família, cujo pai tenta lucrar
com a genialidade do filho. Aos 8 anos, ele precisa antecipar uma das mais
difíceis questões da vida e desvendar o que deseja ser quando crescer (O
JEREMIAS, 2015).
Com base nas
definições e dimensões dos mitos elencadas por Pérez (2003), é possível
identificarmos muitos desses mitos retratados no filme em questão. A autora
lista sete mitos, os quais se desdobram em 30 dimensões.
Os sete mitos
listados e discutidos por Perez (2003) são:
a) Mitos
sobre constituição: 9 dimensões
b) Mitos
sobre distribuição: 4 dimensões
c) Mitos
sobre identificação: 4 dimensões
d) Mitos
sobre níveis ou graus de inteligência: 3 dimensões
e) Mitos
sobre desempenho: 1 dimensão
f) Mitos
sobre consequências: 4 dimensões
g) Mitos
sobre atendimento: 5 dimensões
Assim, com base nessas categorias, fomos identificando nas passagens do filme tais mitos e propondo um aprofundamento para desmistifica-los. A análise é descritiva realizada por meio da lista de mitos e suas dimensões e o modo como a narrativa cinematográfica circula por elas.
“O Jeremias”
(2015) tem valiosa contribuição para a área de Altas Habilidades/Superdotação
pois apresenta de modo leve questões relevantes que perpassam a constituição,
distribuição, identificação e outros mitos.
O uso da
linguagem cinematográfica é recorrente nos cursos de formação de professores e
especializações e precisa ser feito e modo coerente, confrontando com dados
empíricos, apresentados em textos científicos.
Dos aspectos
familiar, social e escolar onde se desdobram as narrativas do desajuste de
Jeremias, que se percebe diferente da família, pede para ir à escola, mas ali
também não se reconhece, o que mais salta aos olhos é o modo preconceituoso e
irônico que a professora se dirige ao aluno “diferente”.
Quando é confrontado pela professora por não saber a resposta de um questionamento, Jeremias diz: “Sou gênio, não adivinho!”.
Referências
ANGERAMI, P. L. Cinema, educação e filosofia: possibilidades de uma poética no ensino. 2014. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília. 2014.
FRAGA, P. D. Sobre cinema e educação estética. Revista Espaço Acadêmico, Maringá, v. 12, n. 137, 2012.
O JEREMIAS. Direção de Anwar Safa. México: Motion Picture Associating of America, 2015.
PEREZ, S. G. P. B. Mitos e
crenças sobre as pessoas com altas habilidades: alguns aspectos que dificultam
seu atendimento. Cadernos de Educação
Especial, Santa Maria, v. 2, n. 22, p. 45-59, 2003.
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o texto acima é um excerto de um trabalho escrito para o I Congresso Brasileiro de Educação para Altas Habilidades/Superdotação, em 2018, na cidade de Londrina-PR. Para ver na íntegra é só clicar aqui para acessar o arquivo PDF do mesmo.
































