O Quarto do Menino

"No meu quarto que eu lia, escrevia, desenhava, pintava, imaginava mil projetos, criava outros mil objetos... Por isso, recebi o apelido de 'Menino do Quarto', título que adotei como pseudônimo e hoje, compartilho neste 'Quarto Virtual do Menino', o que normalmente ainda é gerado em meu próprio quarto". Bem, esse início já é passado; o 'menino' se casou (set/2008); há agora dois quartos, o do casal e o da bagunça... Assim, diretamente do quarto da bagunça, entrem e fiquem a vontade! Sobre a imagem de fundo: A primeira é uma reprodução do quadro "O Quarto" de Vicent Van Gogh; a segunda, é uma releitura que encontrei no site http://www.computerarts.com.br/index.php?cat_id=369. Esta longe de ser o MEU quarto da bagunça, mas em 2007, há um post em que cito o quadro de Van Gogh. Como disse, nada mais propício!!!... Passaram-se mais alguns anos, e o quarto da bagunça, já não é mais da bagunça... é o Quarto do Lorenzo, nosso primogênito, que nasceu em dezembro de 2010!

sexta-feira, setembro 24, 2021

MEUS QUATRO RG’s BRASILEIROS

 

1990                       2007                2011               2021


O primeiro é de e 1990. Eu estava com nove anos e meio. Lembro que a foto 3x4 foi tirada na Casa Alvorada, um armarinho sempre em expansão lá no bairro onde morei até meus 27 anos, na minha cidade natal, Marília-SP. Roupa de passeio, cabelo penteado, foto tirada, esperar um dia para revelar e buscar depois.

Acordei cedo, minha mãe disse: “ – Vai lá na Júlia do Mané (proprietários do armarinho), pegar as fotos para levar na escola. ao chegar na Júlia: “ – Sua foto queimou, temos que tirar outra agora”. “ – Agora?”. “ – Sim, agora!”. A roupa de dormir (nunca tivemos pijama, só roupas “de dormir”), cabelo despenteado, foto tirada e mais tarde revelada.

Está a prova na foto do primeiro RG: o André de nove anos e meio, cabelos desarrumados, camisa polo com botões abertos. Guardo com muito carinho o documento e todas as lembranças desse episódio, como os dedos sujos de tinta para que as impressões digitais fossem registradas em nossa ficha, os fichados corriam para o lavatório para tirar a tinta dos dedos.

Acredito que todos que estudávamos no SESI no. 308, em Marília-SP, naquele ano de 1990 e tiramos o RG, temos o número de registro muito parecidos. O número do RG da minha irmã, por exemplo, aluna da 2ª. série naquele ano e o meu são diferentes apenas nos últimos três números e o dígito (aquele número solitário depois do hífen).

O documento guardado ainda revela outros detalhes como minha letra de aluno da 3ª. série: eu acentuei “André” e “Onório” e não “Luis”. Entretanto, me acostumei a acentuar os dois nomes e o sobrenome. Questionei a agente que emitiu meu RG paranaense (o último e mais recente) a falta do acento agudo no “Onorio”. “ – Não posso mudar, coloco como está na certidão de casamento” (que copiou a certidão de nascimento – confirmo na fotocópia que tenho da original, e a original está no cartório civil, lá em Marília-SP).

O meu segundo RG, ainda paulista, mesmo número, com data de 01 de fevereiro de 2007, foi motivado pela necessidade de provar que eu era aquele menino do primeiro RG; as pessoas não acreditavam mais que aquele menino fofinho de nove anos era eu mesmo.

O terceiro RG, emitido em 01 de junho de 2011 e era, até então o RG utilizável. A diferença, para além da foto e da assinatura de gente grande, mudou também as informações sobre o meu registro civil – não mais o livro A, desde 2008, registrado no livro B. A camisa que uso na foto é uma laranja que ganhei da Paula quando éramos recém namorados.

Meu quarto e, por ora, meu último RG tem data de emissão: 15 de setembro de 2021, ou seja, escrevo esse texto no mesmo mês e ano de emissão do RG. A motivação para um novo RG? Tem dois motivos: 1) Meu novo local de trabalho – instituição estadual de ensino superior, na relação de documentos para a contratação exigia RG emitido no próprio Estado. Devido à pandemia, estavam aceitando RG de outro Estado, porém com o compromisso de logo emitir o RG paranaense. Nós, brasileiros podemos ter 27 RGs, um registro para cada Estado, mais o Distrito Federal - sim, desnecessário, mas estamos no Brasil!

Confesso que foi o segundo motivo que me fez correr no site de agendamento do Instituto de Identificação do Paraná, com atendimento reduzido pela covid-19, demorei dois dias para conseguir agendar. O segundo motivo é para o reconhecimento da cidadania italiana, no Consulado Italiano de Curitiba, que exige que o RG tenha menos de 10 anos de expedição e o meu RG paulista completou 10 anos em 01/06/2021.

O processo de reconhecimento da cidadania italiana: um sonho de algumas décadas, sempre me pareceu impossível e agora está tão próximo de se tornar realidade. Claro, taxas, traduções, apostila de documentos, uma fortuna! Porém, inspira, expira, inspira, expira... tenho até 17 de dezembro de 2021 para apresentar os documentos no vice-consulado italiano aqui em Londrina-PR.

Lá em 2006 e 2007 quando trabalhei (e gastei) com afinco reunindo informações, certidões de nascimento, casamento e óbito da minha árvore genealógica paterna (aliás, tenho cadastro em pelo menos dois sites com esses propósitos de reunir dados sobre os antepassados e pessoas da família), aprendi que nossa passagem pela Terra, ao menos aqui no Brasil, fica registrada nos livros alfa-numéricos (A-16, B-116, C-0, ainda não morri e não saberei o número do meulivro C).

Todas as certidões que comprei nessa época não eram de inteiro teor, como exigido para o processo de reconhecimento da cidadania. Desde 2019, aos poucos vinha pedindo novas certidões, agora em inteiro teor. Outro contratempo nos idos de 2006/2007, cujo equívoco descobri anos mais tarde é que a certidão de nascimento do antenato italiano que eu tinha em mãos não era do meu bisavô.

Para ter certidão italiana de nascimento correta gastei mais dinheiro para uma assessoria localizar e mais outro tanto para outra pessoa solicitar, buscar e me enviar. Sim, muito dinheiro desembolsado.

São pessoas diferentes, mesmo nome e sobrenome, mesmo pai e mãe, porém, com datas e locais de nascimento diferentes. A primeira certidão que eu recebi quando paguei um jovem brasileiro recém chegado na Itália para procurar e enviar o documento para mim é de “PRIMO SANTE CONEGLIAN”, nascido em 02 de novembro de 1893, em Villadose. O meu bisavô foi “PRIMO VINCENZO CONEGLIAN”, nascido em 13 de agosto de 1890, no comune de Ceregnano, também na Província de Rovigo, Itália.

Villadose e Ceregnano, Rovigo, Itália

Meu bisavô Primo Vicente Coneglian se casou com minha bisavó Maria Carolina Dadalto Coneglian, tiveram 11 filhos, dentre os quais meu avô Luiz Coneglian. Meu avô faleceu quando meu pai, o filho caçula de sete, estava com 17 anos. Foi casado com minha avó Olinda Brichi Coneglian. Meu pai se casou com minha mãe e eu sou o filho mais velho, tenho uma irmã e um irmão.

Por minha vez, casei-me com Paula Rosario Cruz Coneglian, boliviana, de Oruro, e temos dois filhos: Lorenzo e Benjamin. Algumas curiosidades sobre o registro civil na Bolivia: o carnet de identidad precisa ser renovado periodicamente, quando um casal oficializa o casamento no civil, eles recebem a “libreta da família” e conforme nascem os filhos, eles vão sendo acrescentados na libreta. Paula disse que sua mãe nunca teve a libreta por não ter sido casada oficialmente.

Libreta de Familia (Bolivia)

Mais um dos muitos procedimentos formais e burocráticos que marginalizam e discriminam pessoas e famílias que não se encaixam no padrão de família imposto pelo Estado e igreja cristã: homem, mulher e filhos felizes como numa propaganda de margarina tomando café da manhã num domingo, numa casa linda, com uma mesa farta!

Bem, a motivação inicial do texto foi escrever sobre meus quatro RGs e a discussão, para além das descritas acima: minha nostalgia em relação ao primeiro RG, todos os desdobramentos que impeliram a renovação dos RGs paulista e agora meu novo RG (Estado diferente, registro diferente), as mudanças no código civil brasileiro, muitos avanços como a não obrigatoriedade da mulher alterar seu nome incluindo o nome do marido ou ainda permitindo que o homem adote o sobrenome da esposa (alguns já usam essa possibilidade com outras motivações, como adotar o sobrenome japonês da esposa para ir ao Japão e trabalhar como dekassegui).

Desejo que o texto possa provocar outras linhas de pensamento, raciocínio e reflexão. Suscitar as memórias particulares de cada leitor em relação aos registros civis e sua história no mundo.

Meu grande sonho e há décadas quase inalcançável, o reconhecimento da cidadania italiana, agora tão próximo, sinto uma mescla de enorme de sentimentos. Pergunto-me: e quando for real e estiver com minha carteira de identidade italiana e passaporte europeu emitidos em minhas mãos?

Não queria que fosse acontecimento tão esperado o único motivo para trazer alegria e esperança para os meus dias... Aguardarei, sem criar expectativas conforme minha nova filosofia de vida – sem expectativas, para uma vida mais realista.

Quando for real, processarei o novo fato e a vida segue, até minha existência se encerrar e ser registrada no livro C. bem: Basta a cada dia o seu mal!

terça-feira, agosto 10, 2021

DIA INTERNACIONAL DA SUPERDOTAÇÃO - 10 DE AGOSTO

 



[Escrito no Facebook em 10 de agosto de 2020]

Celebrar sim, porém, com engajamento, posicionamento, esclarecimento e reflexão.
Há vários conceitos e pesquisas sobre Altas Habilidades/Superdotação (AHSD). Pesquisadores debatem, divergem, convergem sobre questões que envolvem a área.
Todavia, grande parte fica no estritamente teórico. Claro que é importante outros falarem e defenderem a área não sendo superdotados.
Muitos se engajam na área por serem pais e mães, viveram/vivem diariamente as agruras de ter um sujeito superdotado em casa sob sua responsabilidade. Bem como profissionais que vestem a camisa da superdotação, pois exercem empatia e alteridade.
Entretanto, é importante que o próprio sujeito fale por si, não como representante exclusivo da área, pois, ao falar sobre sua idiossincrasia como sujeito com AHSD, fala de um perfil, que pode refletir um ou outro aspecto da diversidade e pluralidade dos perfis de outros sujeitos superdotados.
Somos muitos e diferentes! Há os "nerds", há os líderes (quando não encontram ambientes favoráveis, o crime oferecerá "ótimas" oportunidades), há aqueles que não vão bem na escola, pois esta é rígida, tradicional, e há muitos outros perfis.
Já fui extremamente otimista em relação ao mundo, a possibilidade de mudar o "status quo" por meio da coletividade, cooperativismo, a formação para o envolvimento social.
O meu otimismo se mudou para algum lugar da Oceania, bem distante de mim.
Somos uma família de superdotados, não uma família com superdotados. Os quatro superdotados. Tudo começou com o Lorenzo (2015), depois eu (2018), Paula (2019) e, recentemente Benjamin (2020).
Lorenzo, AHSD acadêmico-intelectual, como a minha superdotação. Paula, AHSD produtivo-criativa e no Esporte. Benjamin tem AHSD mista: acadêmico-intelectual e produtivo-criativa.
Não há glamour na superdotação, principalmente num mundo repleto de idiotas, no qual Ciência, Conhecimento e Estudo são ridicularizados e menosprezados.
Reina a ignorância e os ignorantes estão no poder; os superdotados sofrem, em sua grande maioria, pois o mundo despreza seus apelos: liberdade, justiça, ambiente favorável ao aprendizado, sem bullying, espaços, recursos materiais e humanos para exercer a criatividade, consumir e produzir conhecimento.
É muito triste pensar que muitos humanos que estavam à frente do seu tempo, por defenderem ideias diferentes, sofreram graves consequências, pagando com a própria vida, o que hoje sabe-se ser real.
O Sol não gira em torno Terra, mas é a Terra que orbita em torno do Sol. O médico que entendeu a importância da higienização das mãos, foi enganado por um colega que o internou num manicômio e morreu uma semana depois. Martin Luther King foi assassinado por lutar pelos direitos civis dos negros americanos. Mandela ficou preso por 27 anos por defender a igualdade entre negros e brancos e a lista é enorme.
Numa palestra em 2017, sobre criatividade, o questionamento da pesquisadora foi: o que faz uma sociedade valorizar e pagar melhor o Engenheiro Civil e não o pedreiro? As respostas são óbvias, podem pensar: o engenheiro estudou e merece ganhar mais por projetar prédios seguros. Mas, e o construtor? É uma questão cultural, para dizer o mínimo, mas poderíamos levantar muitos outros pontos.
Passei a vida escolar idolatrando a escola e meus professores. No processo de formação como professor, a ira, a indignação cresceram dentro de mim, senti-me enganado, traído, menosprezado, subestimado. Em sua grande maioria, os agentes educacionais foram rasos, medíocres; cumpriram mecânica e burocraticamente o ofício de ensinar, mediar e promover o conhecimento.
Como eu disse acima, esse é uma parte da minha percepção do mundo como sujeito superdotado, 37 anos sem saber que a minha estranheza tinha esse nome.
A percepção da Paula, menina boliviana, crescendo com suas dificuldades em Oruro são bem diferentes das minhas.
Assim como as percepções de mundo dos sujeitos cm AHSD identificados em idade escolar, que frequentaram/frequentam o Atendimento Educacional Especializado... ainda assim não estão livres dos desencontros e desajustes com o mundo.
Feliz Dia dos Superdotados? Felicidade? Não há felicidade em observar e absolver o mundo num ritmo diferente, num nível elevado de sensibilidade, pensamentos constantes, análises mil, outras tantas conjecturas e planos, dos quais 99% não acontecem, ou acontecem de modo inadequado por conta do desentendimento e ignorância do ambiente familiar, escolar, social...
Não há mesmo muito o que celebrar. Há muito pelo que lutar, há muito para conquistar. Os sistemas educacionais brasileiros têm muito, muito mesmo para melhorar, modificar, evoluir.
A formação de professores precisa mudar. A valorização salarial, a gestão dos recursos educacionais precisam ser mais adequadas e eficientes.
Enfim, parece que o otimismo me manda mensagens lá da Oceania, às vezes, chegam, com rasuras, incompletas, outras vezes não chegam. Zero. Silêncio (do otimismo). Resta o barulho e a confusão da realidade!

segunda-feira, agosto 09, 2021

DA SOLIDÃO, Cecília Meireles





Há muitas pessoas que sofrem do mal da solidão. Basta que em redor delas se arme o silêncio, que não se manifeste aos seus olhos nenhuma presença humana, para que delas se apodere imensa angústia: como se o peso do céu desabasse sobre sua cabeça, como se dos horizontes se levantasse o anúncio do fim do mundo.

No entanto, haverá na terra verdadeira solidão? Não estamos todos cercados por inúmeros objetos, por infinitas formas da Natureza e o nosso mundo particular não está cheio de lembranças, de sonhos, de raciocínios, de idéias, que impedem uma total solidão?

Tudo é vivo e tudo fala, em redor de nós, embora com vida e voz que não são humanas, mas que podemos aprender a escutar, porque muitas vezes essa linguagem secreta ajuda a esclarecer o nosso próprio mistério. Como aquele Sultão Mamude, que entendia a fala dos pássaros, podemos aplicar toda a nossa sensibilidade a esse aparente vazio de solidão: e pouco a pouco nos sentiremos enriquecidos.

Pintores e fotógrafos andam em volta dos objetos à procura de ângulos, jogos de luz, eloquência de formas, para revelarem aquilo que lhes parece não só o mais estático dos seus aspectos, mas também o mais comunicável, o mais rico de sugestões, o mais capaz de transmitir aquilo que excede os limites físicos desses objetos, constituindo, de certo modo, seu espírito e sua alma.

Façamo-nos também desse modo videntes: olhemos devagar para a cor das paredes, o desenho das cadeiras, a transparência das vidraças, os dóceis panos tecidos sem maiores pretensões. Não procuremos neles a beleza que arrebata logo o olhar, o equilíbrio de linhas, a graça das proporções: muitas vezes seu aspecto - como o das criaturas humanas - é inábil e desajeitado. Mas não é isso que procuramos, apenas: é o seu sentido íntimo que tentamos discernir. Amemos nessas humildes coisas a carga de experiências que representam, e a repercussão, nelas sensível, de tanto trabalho humano, por infindáveis séculos.

Amemos o que sentimos de nós mesmos, nessas variadas coisas, já que, por egoístas que somos, não sabemos amar senão aquilo em que nos encontramos. Amemos o antigo encantamento dos nossos olhos infantis, quando começavam a descobrir o mundo: as nervuras das madeiras, com seus caminhos de bosques e ondas e horizontes; o desenho dos azulejos; o esmalte das louças; os tranquilos, metódicos telhados... Amemos o rumor da água que corre, os sons das máquinas, a inquieta voz dos animais, que desejaríamos traduzir.

Tudo palpita em redor de nós, e é como um dever de amor aplicarmos o ouvido, a vista, o coração a essa infinidade de formas naturais ou artificiais que encerram seu segredo, suas memórias, suas silenciosas experiências. A rosa que se despede de si mesma, o espelho onde pousa o nosso rosto, a fronha por onde se desenham os sonhos de quem dorme, tudo, tudo é um mundo com passado, presente, futuro, pelo qual transitamos atentos ou distraídos. Mundo delicado, que não se impõe com violência: que aceita a nossa frivolidade ou o nosso respeito; que espera que o descubramos, sem anunciar nem pretender prevalecer; que pode ficar para sempre ignorado, sem que por isso deixe de existir; que não faz da sua presença um anúncio exigente "Estou aqui! estou aqui!". Mas, concentrado em sua essência, só se revela quando os nossos sentidos estão aptos para descobrirem. E que em silêncio nos oferece sua múltipla companhia, generosa e invisível.

Oh! se vos queixais de solidão humana, prestai atenção, em redor de vós, a essa prestigiosa presença, a essa copiosa linguagem que de tudo transborda, e que conversará convosco interminavelmente.


MEIRELES, Cecília. Janela Mágica. 3. Editora Moderna: 2003, p. 48-51. 

quinta-feira, julho 08, 2021

PERDOE O ESCAMBAU


 O Primeiro Luto (Original em francês Premier Deuil) é um óleo sobre tela pintado em 1888 por William-Adolphe Bouguereau


Há alguns anos escrevi um poema intitulado “Perdoe se eu morrer”.

Sinto-me compelido, pelos meses de terror que vivemos com a pandemia e o crescente número de mortos no Brasil nesses primeiros meses de 2021, a repensá-lo, reescrevê-lo, reeditá-lo.

Perdoe o escambau!

Se eu morrer, serei mais um número na estatística divulgada todos os dias. E nada muda!

Se eu morrer, os verdadeiros culpados continuarão ilesos, debochando, chamando as dores de tantos enlutados de mi mi mi.

Se eu morrer, algumas pessoas que me conheceram em vida, ficarão tristes, farão homenagens das redes sociais, colocando fotos, e contando situações que vivemos juntos, desejarão “meus sentimentos”, “meus pêsames” aos meus familiares. E espero que tenham dor na consciência aqueles que votaram no presidente-genocida, mas será tarde, como já é tarde para tantos que morreram.

Muitos desses mortos, vítimas da própria escolha por terem votado nesse energúmeno, terem acreditado no tratamento precoce, aglomerado e não obedecerem às normas da OMS e demais normas restritivas.

Se eu morrer, minha família irá sentir todos os dias minha falta, passado o torpor da perda, a rotina é mais cruel para aqueles que ficam: ele acordaria essa hora, tomaria banho, faria o café, talvez iria na padaria se não tivesse pão.... mas deverão seguir sem mim. Deverão lutar pelas suas próprias vidas e se puderem, pelas vidas das pessoas desfavorecidas. Há tanto por fazer nesse mundo.

Façam por vocês, façam pelas pessoas, não por instituições, não em nome de ninguém, não pela promessa de um porvir em qualquer paraíso não terreno. A vida é aqui e agora e está sendo desperdiçada, como se as vidas das pessoas não valessem nada!

Se eu morrer de covid-19, vocês que permaneceram vivos, lutem para que os responsáveis, presidente e todos seus asseclas sejam responsabilizados civil e penalmente o quanto antes, por mim e por todos que morreram vítimas da incompetência e ingerência programada e proposital para deixar morrer, para matar!

Peço, suplico: valorizem nossas escolas públicas, universidades públicas, os professores, Educadores, o Sistema Único de Saúde, as demais instituições públicas. Valorizem a Ciência! Estudem, leiam, não tenham medo do PT, da Esquerda, do Comunismo sem antes entenderem o que está em jogo. Cresçam, amadureçam, participem das instâncias de decisões de escolha, não deixem escolherem por vocês.

A ingenuidade, o ódio gratuito e fantasioso ao PT nos trouxe para esse cenário de terror. Não estou defendendo o PT. Estou chamando a atenção para a maturidade. Analisar as situações de modo mais profundo. Estou cansado, esgotado. Perdi o encantamento com tudo. Sigo vivo pela minha família, esposa e filhos. Paula é forte! Não queria ter perdido o encantamento, entretanto, não foi uma escolha. Uma série de fatores me trouxe para esse nada, situações e pessoas!

Talvez, um dia, no futuro, caso não tenha morrido de covid ou qualquer outro motivo, ao reler esse texto eu possa rir, estar numa situação melhor que a atual. Sofrimento é ter consciência crítica num mundo que é essencialmente cruel!

E você, lendo esse texto, é porque está respirando. Encontre a missão da sua vida. Faça a diferença na vida. Não exija que ninguém seja como você, não deixe que as pessoas te coloquem em caixas ou formas pré-estabelecidas. Be brave! Be happy!

André Coneglian

23.03.2021

p.s.: 298.676 mortos até 23 de março de 2021. Hoje, 08 de julho de 2021 são mais de 529 mil mortos, ou seja, 230.324 pessoas morreram desde a escrita desse texto até a data de hoje, quando o compartilho aqui, em pouco mais de três meses. Perdi amigos, amigos perderam pais, cônjuges, perdi ex-aluno, alunos perderam pais... nos "habituamos" aos muitos óbitos...

quarta-feira, abril 14, 2021

"Cartas do Menino do Quarto para o Mundo", de André Coneglian (Editora Apprehendere, 2020)



Sim, sou a pessoa mais suspeita para falar do meu próprio livro... Não está perfeito. Depois de pronto e acabado, o desejo é arrumar aqui, acrescentar ali, diminuir isso e aquilo.

O livro foi o modo que escolhi fazer as pazes com o passado acerca da "descoberta" da minha superdotação aos 37 anos de idade. A escrita e todo processo até a finalização do projeto foi uma terapia, uma jornada catártica.

Como escrevi na postagem de ontem (13/04/2021) no Facebook acerca da passagem de um ano do lançamento do livro:

Quem REALMENTE me conhece?
Qual ou quais das minhas versões você conheceu?
Fui o "Menino do Quarto" por 19 anos. Introvertido. Observador.
Tido por muitos como "inteligente", "estudioso", "quieto".
No livro lançado ano passado, escrevo um pouco sobre a minha jornada no mundo da superdotação, iniciada com o princípio de depressão e gastrite nervosa do pequeno Lorenzo, então com 4 anos de idade.
Porém, não é sobre Lorenzo que escrevo. O Menino do Quarto resgata sua identidade como superdotado e a avalanche de sentimentos que foi essa caminhada.
As cartas são endereçadas aos meus pais, aos meus professores, aos meus amigos, aos psicólogos, aos superdotados, às autoridades e a Deus!
A esperança é que as situações narradas nas cartas encontrem terrenos férteis em outros corações! Outras mães/pais, professores...
Se quiser ler essas cartas, é só fazer o seu pedido por meio do formulário, clicar aqui.
Prefácio da querida Profa. Dra.
Susana Graciela Pérez Barrera
e posfácio da querida Ms.
Patrícia Neumann

domingo, abril 11, 2021

O Jeremias - filme mexicano




“O Jeremias” é um filme mexicano produzido no ano de 2015; na sinopse disponibilizada em Português já encontramos algumas incoerências e incompreensões acerca da AH/SD (quando se refere ao protagonista como “gênio”), porém, por meio do gênero comédia, trata de modo simples e, ao mesmo tempo profundo a temática:

 

Jeremias (Martín Castro) é uma criança de 8 anos extremamente inteligente. Quando descobre que é um gênio, com um Q.I. acima do normal, ele luta para ser bem sucedido, apesar da ignorância e pobreza da sua família, cujo pai tenta lucrar com a genialidade do filho. Aos 8 anos, ele precisa antecipar uma das mais difíceis questões da vida e desvendar o que deseja ser quando crescer (O JEREMIAS, 2015).

 

Com base nas definições e dimensões dos mitos elencadas por Pérez (2003), é possível identificarmos muitos desses mitos retratados no filme em questão. A autora lista sete mitos, os quais se desdobram em 30 dimensões.

Os sete mitos listados e discutidos por Perez (2003) são:

a)      Mitos sobre constituição: 9 dimensões

b)      Mitos sobre distribuição: 4 dimensões

c)      Mitos sobre identificação: 4 dimensões

d)     Mitos sobre níveis ou graus de inteligência: 3 dimensões

e)      Mitos sobre desempenho: 1 dimensão

f)       Mitos sobre consequências: 4 dimensões

g)      Mitos sobre atendimento: 5 dimensões

 

Assim, com base nessas categorias, fomos identificando nas passagens do filme tais mitos e propondo um aprofundamento para desmistifica-los. A análise é descritiva realizada por meio da lista de mitos e suas dimensões e o modo como a narrativa cinematográfica circula por elas.

“O Jeremias” (2015) tem valiosa contribuição para a área de Altas Habilidades/Superdotação pois apresenta de modo leve questões relevantes que perpassam a constituição, distribuição, identificação e outros mitos.

O uso da linguagem cinematográfica é recorrente nos cursos de formação de professores e especializações e precisa ser feito e modo coerente, confrontando com dados empíricos, apresentados em textos científicos.

Dos aspectos familiar, social e escolar onde se desdobram as narrativas do desajuste de Jeremias, que se percebe diferente da família, pede para ir à escola, mas ali também não se reconhece, o que mais salta aos olhos é o modo preconceituoso e irônico que a professora se dirige ao aluno “diferente”.

Quando é confrontado pela professora por não saber a resposta de um questionamento, Jeremias diz: “Sou gênio, não adivinho!”.

 

Referências

ANGERAMI, P. L. Cinema, educação e filosofia: possibilidades de uma poética no ensino. 2014. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília. 2014.

FRAGA, P. D. Sobre cinema e educação estética. Revista Espaço Acadêmico, Maringá, v. 12, n. 137, 2012.

O JEREMIAS. Direção de Anwar Safa. México:  Motion Picture Associating of America, 2015.

PEREZ, S. G. P. B. Mitos e crenças sobre as pessoas com altas habilidades: alguns aspectos que dificultam seu atendimento. Cadernos de Educação Especial, Santa Maria, v. 2, n. 22, p. 45-59, 2003.

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o texto acima é um excerto de um trabalho escrito para o I Congresso Brasileiro de Educação para Altas Habilidades/Superdotação, em 2018, na cidade de Londrina-PR. Para ver na íntegra é só clicar aqui para acessar o arquivo PDF do mesmo.


sexta-feira, fevereiro 19, 2021

“DIZEI-ME COM POUCAS PALAVRAS*...”



O silêncio é minha veste nesses dias. Não é meu traje favorito, entretanto, o provisório silêncio é um pijama confortável para noites de sono. O pijama pode até ser confortável, mas tranquilo não é o sono, nem a noite, o dia, tempo algum. 

Cecília pede para dizer com poucas palavras aquilo que me atormenta... Não posso! Não consigo dizer com parcas “parole”... Há tanta dor, há tanto sofrimento... Dores e sofrimentos pessoais, não obstante, dói mais fundo a dor do coletivo.

Um coletivo de pobres e desassistidos! Pobres e desassistidos no qual me incluo - sem perspectiva de vacina e um retorno às atividades dos homens na Terra, todos abandonados e entregues ao deus Mercado e ao deus dará...

Despi-me brevemente de meu confortável silêncio-pijama por um motivo:

Ontem eu vi um pedido que me comoveu – sensível sempre fui; criei casca, transformou-se em couraça – mas encontro-me vulnerável.

Era uma jovem esposa clamando pela vida do jovem marido, internado com covid-19, com complicações no coração, ela pedia a todos, no vídeo.

“Tão corriqueiro nesse 2020 e 2021”, 240 mil pessoas perderam a vida. “Ah, mas afinal morreremos todos um dia”, podem argumentar os céticos, negacionistas e alienados alinhados ao bolsohitler tupiniquim.

Esse pedido foi diferente, foi feito em Língua Brasileira de Sinais, ela e ele são Surdos. Por que me comoveu tanto? A resposta não é simples, por isso, dizer com poucas palavras é difícil...

Há muitos anos uma amiga Surda chorou desesperadamente para mim. Não me recordo de choro mais triste, brotado no mais profundo âmago da alma, som gutural de quem não se ouvia a voz.

Não há palavra em Português, em Libras, em nenhuma língua para acalmar esse som gutural... Apenas abracei!

O clamor da jovem esposa em Língua de Sinais pelo jovem marido, para rezarmos/orarmos em favor dele, junto com suas lágrimas, foram como punhais em meu já abalado coração.

- Senhor das nossas pobres almas, que Sua Soberana Vontade alcance esse jovem casal. Os ouvidos surdos não ouvem som humano, mas creio que suas almas/espíritos podem ouvir o Céu.

Aproveito e peço pelo povo brasileiro: cego, surdo e mudo, hipnotizados por discursos e práticas de ódio e de homicídio em massa – armas ao invés de vacinas! – guiados por um “líder” desde sempre questionável, evidentemente equivocado, despreparado, que nunca escondeu suas intenções malignas.

Quase despi todo o pijama. Todavia, volto a ele, ao silêncio contemplativo. Sigo clamando, sigo pedindo. Que nossas súplicas – em alta voz, em meio tom, em silêncio, em Língua de Sinais, sejam todas atendidas.

Amém.

André Coneglian

17 fev. 2021



* Poema de Cecília Meireles, com mesmo título: “Dizei-me com poucas palavras”

 

quinta-feira, janeiro 28, 2021

MINHA COLEÇÃO PARTICULAR DE CECÍLIA MEIRELES E A CHEGADA DE “NOVOS” EXEMPLARES, COM DESTAQUE PARA UM DE 1949

 

Meu amor e minha admiração por Cecília Meireles crescem consideravelmente. Tamanhos são meu amor e admiração por ela que meu desejo é citá-la e referencia-la o tempo todo. Sigo empenhado em ter comigo toda sua obra publicada, todas as palavras que escreveu e publicou, bem como todas que escreveu e não pode publicar em vida, mas o fizeram suas filhas.

Poemas, romances, contos, crônicas, reportagens, ilustrações. Quero tudo! Tenho um selo comemorativo de seu centenário. Gostaria de ter a cédula de 100 cruzeiros [ganhei uma cédula nova de uma ex-aluna, a Marina Pradal e outra mais usada, da Paula] . Se possível, a edições mais antigas, mais próximas da autora quando ainda respirava. Como este exemplar que acabei de ganhar de presente da minha esposa por ocasião do meu quadragésimo aniversário (15/01/2021); ganhei outros livros da Cecília, da minha esposa, mãe e irmã, entretanto, este último é especial.



Minha esposa também me presenteou com uma boneca da Cecília, a boneca mais linda e única, não haverá outra igual. Nada comum, não é mesmo? Esposa confecciona e presenteia o marido com uma boneca. Pois é, não somos comuns.








O primeiro livro de Cecília Meireles que foi morar em casa e tenho até hoje: “Melhores poemas – seleção de Maria Fernanda”, 8ª edição, 1996, da Editora Global. O modo como esse exemplar foi parar em casa, um dia talvez eu confesse a um padre. No ano de 2011, minha querida amiga Tânia Tolentino me presentou com o mesmo livro, 14ª edição, de 2002.

O primeiro livro que eu comprei com meu salário foi “Crônicas de Viagem”, no ano de 2000, por conta de uma coluna publicada no jornal da minha cidade natal (Marília-SP); a coluna foi escrita, vejam só, por uma professora da Unesp de Marília, que viria ser minha professora no ano seguinte (2001), Profa. Sonia Marrach, responsável pela disciplina “História da Educação no Brasil”.

O meu exemplar de “Crônicas de Viagem” eu presenteei à minha amiga Priscila Mendonça, em um aniversário dela, 28 de agosto, só não me recordo o ano.

Depois eu descobri que a biblioteca da Unesp possuía os três primeiros volumes do livro “Crônicas de Educação”, os quais reúnem crônicas escritas por Cecília Meireles, enquanto foi jornalista, de dois jornais cariocas, o primeiro de 1930 a 1933 e o segundo de 1941 a 1943.

No ano de 2010, por ocasião do Dia dos Namorados – 12 de junho, Paula, minha eterna namorada, presenteou-me com a coleção dos 5 volumes de “Crônicas de Educação”. A leitura desses volumes, à época estudante de Pedagogia foi tão arrebatadora que não me achava digno de exercer o ofício de Professor, tamanha a responsabilidade apontada pelas crônicas de Cecília.

Minha coleção seguiu um ritmo tranquilo de aquisição de outros exemplares, que chegaram por meio de sebos da internet. Um dos momentos mais sublimes de aquisição de obras de Cecília (muitos exemplares no mesmo dia), foi quando estive por primeira vez na cidade do Rio de Janeiro, em setembro de 2007.

Numa reportagem de TV eu tinha ouvido que Cecília Meireles morou na Rua Smith de Vasconcelos, no. 30, no bairro Cosme Velho. No meu segundo dia no Rio de Janeiro fui atrás da casa. Encontrei! Tirei fotos, por fora. Tinha a esperança de entrar na casa e ver a biblioteca pessoal de Cecília, enfim, sua casa toda... ninguém atendeu minhas palmas insistentes.

[as fotos que tirei em frente à casa, estão em meu outro blog]

Descobri que a casa fica na rua lateral do Trem do Corcovado e foi assim que conheci o Cristo Redentor, por causa da Cecília Meireles. Como fiquei hospedado em um hostel (albergue para jovens) em Ipanema, na Rua Vinicius de Mores, o trajeto do ônibus do hostel a Cosme Velho e de Cosme Velho ao hostel, passava pela Avenida das Laranjeiras, onde fica localizado o Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES.

O INES foi o motivo principal para eu estar no Rio de Janeiro, naquele setembro de 2007. O instituto realiza anualmente um congresso e naquele ano comemorava 150 anos de fundação. Uma viagem memorável e inesquecível por muitos motivos.

Cecília Meireles visitou o INES e escreveu crônicas sobre a visita na sua coluna. Eu conheci uma das crônicas por meio da Revista “Sentidos”, publicação do INES, numa seção que resgata a “História” do instituto. Andando por Copacabana, ainda em 2007, descobri uma livraria/sebo: “Livraria Mar de Histórias”, Rua Francisco Sá, 51 – Copacabana, loja 11 e 12. O Google Mapas mostra uma foto da fachada da livraria onde se lê: “Todo livro que você não leu é um livro novo”. Por isso eu amo sebos!

Encontrei muitos tesouros de Cecília nesse sebo. Destaco um deles: o livro “O que se diz e o que se entende”, Editora Nova Fronteira, 1980. O que faz desse exemplar especial? Muito especial, para mim, aliás. É que o livro possui uma dedicatória escrita a mão, Stella compra este exemplar e presenteia a Lucy em 1980 (livro recém lançado). É muito caro para mim esses “pequenos” detalhes. “À querida Lucy do coração sutil e da alma requintada, carinhosamente. Stella. Rio, 17 de julho de 80”. Ainda sonho em descobrir Stella e Lucy, o que foram uma para outra, qual a história – oculta para mim e agora para vocês – que este livro representa para ambas. Enquanto Stella realizava aquele carinho a Lucy, eu estava sendo formado no ventre materno (cheguei ao mundo seis meses depois).




A biblioteca da Unesp em Marília-SP possui um exemplar do livro “Poemas Italianos, com a versão italiana de Edoardo Bizzarri”, do Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, 1ª. edição de 1968, que eu, não podendo roubar o exemplar para mim (mais um pecado para confessar ao padre), tirei cópia na íntegra. Espero um dia poder ter o original!

O exemplar mais antigo que possuía até então é do ano de 1953 – Poemas escritos na Índia. Tenho outros da década de 1960 (1962, 1963); década de 1970 (1973, 1974); década de 1980 (1980, 1981, 1982, 1983). Depois são livros já publicados neste século presente. O único novo que adquiri neste período é o “Romanceiro da Inconfidência”, uma versão de bolso, de 2012, que comprei na livraria da EDUEL (Londrina).

No meu aniversário desse ano, minha irmã me presentou com um livro da Lygia Fagundes Telles e uma edição de bolso: “Cecília de bolso – uma antologia poética”, de 2014. Minha mãe me deu “Crônicas para jovens”, seleção, prefácio e notas biobibliográficas de Antonieta Cunha, da Editora Global, de 2012. Minha esposa me presentou com quatro exemplares: “Janela Mágica”, Editora Moderna, de 2003; “Canção da tarde no campo”, Editora Global, com ilustrações de Ana Raquel, 2ª edição de 2002; “O menino azul”, Editora Global, com ilustrações de Elma, de 2013. E o exemplar que motivou esse texto: “Rui, pequena história de uma grande vida”, biografia de Rui Barbosa, escrita por Cecília Meireles, sob encomenda da Casa de Rui Barbosa, edição comemorativa ao centenário de nascimento de Rui Barbosa, em 1949.

Foi amor à primeira vista. Tirou o trono de exemplar mais antigo do livro “Poemas escritos na Índia”. O livro é diferente de tudo que já tive de Cecília ou qualquer outro. Uma garota “prodígio” escrevendo sobre outro garoto “prodígio”. Um espírito humano elevadíssimo narrando poética e sensivelmente a história de vida de outro espírito igualmente elevado, de uma importância histórica para nosso país, que repercutiu internacionalmente.

Eu li num artigo sobre as comemorações do centenário de nascimento de Rui Barbosa que foi produzido 90 mil exemplares e distribuídos aos alunos do último ano (ensino médio?) por meio da Força Aérea Brasileira.

O livro é lindo, poético e sensível. Com fotografias relacionadas à vida de Rui Barbosa. Cada capítulo Cecília encerrou com uma citação do próprio Rui Barbosa. Um tesouro. Apresento algumas fotos do meu tesouro e finalizo com um checklist dos livros que tenho (sim) – e não tenho (em branco), de Cecília Meireles. Aceito presentes fora da época do meu aniversário. Livros de sebos são os melhores! Quanto mais velho, mais eu amarei! Minha busca pessoal é pelos originais.

 



















Obrigado! De nada! [atualizada em 07/11/2025]

 

Espectros, 1919

 Sim

Criança, meu amor, 1923

 

Nunca mais, 1923

 

Poema dos Poemas, 1923

 Sim

Baladas para El-Rei, 1925

 Sim

O Espírito Vitorioso, 1929 [exemplar fotocopiado e enviado por Fernanda Correia Dias, para a live acerca desta obra]

 

Saudação à menina de Portugal, 1930

 Sim

Batuque, samba e Macumba, 1933

 

A Festa das Letras, 1937

 

Viagem, 1939

Sim

Olhinhos de Gato,1940

 

Vaga Música, 1942

 

Poetas Novos de Portugal, 1944

Sim

Mar Absoluto, 1945

 Sim

Rute e Alberto, 1945 [versão digital, fotocopiada enviada por Fernanda Correia Dias para a live sobre esta obra]

Sim

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1949

Sim

Retrato Natural, 1949

 Sim

Problemas de Literatura Infantil, 1950

 

Amor em Leonoreta, 1952

 

Doze Noturnos de Holanda, 1952

 

O Aeronauta, 1952

Sim

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Sim

Poemas Escritos na Índia, 1953 [duas edições, a mais recente foi presente da Aliny Perrota]

 

Batuque, 1953

 Sim

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

 Sim

Pistoia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

 

Panorama Folclórico de Açores, 1955

 

Canções, 1956

Sim

Giroflê, Giroflá, 1956

 Sim

Romance de Santa Cecília, 1957

 

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

 

A Rosa, 1957

 

Obra Poética,1958

 

Metal Rosicler, 1960

 

Poemas de Israel, 1963

Sim

Antologia Poética, 1963

 

Solombra, 1963

 Sim

Ou Isto ou Aquilo, 1964 [edições 2012, 2024 e 1977, esta última presente da amiga Sueli Bortolin - outubro 2025]

Sim

Escolha o Seu Sonho, 1964

Sim

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

 

O Menino Atrasado, 1966

 

Poésie (versão francesa), 1967

 

Antologia Poética, 1968

Sim

Poemas Italianos, 1968

 

Poesias (Ou isto ou aquilo& inéditos), 1969

 Sim

Flor de Poemas, 1972

 

Poesias Completas, 1973

 

Elegias, 1974

 

Flores e Canções, 1979

 Sim

Poesia Completa, 1994

 

Obra em Prosa - 6 Volumes - Rio de Janeiro, 1998

Sim

Canção da Tarde no Campo, 2001

 

Poesia Completa, edição do centenário, 2001, 2 vols. (Org.: Antonio Carlos Secchin. Rio de Janeiro: Nova Fronteira)

Sim

Crônicas de educação, 2001, 5 vols. (Org.: Leodegário A. de Azevedo Filho. Rio de Janeiro: Nova Fronteira)

 Sim

Episódio Humano, 2007

 p.S.: tenho outros livros em minha estante, como antologias, Cânticos (1982)...