O Quarto do Menino

"No meu quarto que eu lia, escrevia, desenhava, pintava, imaginava mil projetos, criava outros mil objetos... Por isso, recebi o apelido de 'Menino do Quarto', título que adotei como pseudônimo e hoje, compartilho neste 'Quarto Virtual do Menino', o que normalmente ainda é gerado em meu próprio quarto". Bem, esse início já é passado; o 'menino' se casou (set/2008); há agora dois quartos, o do casal e o da bagunça... Assim, diretamente do quarto da bagunça, entrem e fiquem a vontade! Sobre a imagem de fundo: A primeira é uma reprodução do quadro "O Quarto" de Vicent Van Gogh; a segunda, é uma releitura que encontrei no site http://www.computerarts.com.br/index.php?cat_id=369. Esta longe de ser o MEU quarto da bagunça, mas em 2007, há um post em que cito o quadro de Van Gogh. Como disse, nada mais propício!!!... Passaram-se mais alguns anos, e o quarto da bagunça, já não é mais da bagunça... é o Quarto do Lorenzo, nosso primogênito, que nasceu em dezembro de 2010!

terça-feira, janeiro 17, 2023

A NETA

Não é segredo que desde o meu primeiro contato com a obra de Cecília Meireles, foi amor a primeira lida. Eu tinha 19 anos de idade (nos idos do ano 2000). Vou escrever o texto e tentar ao longo dos dias ir alimentando com imagens, como por exemplo, do recorte do jornal local (Marília-SP), uma pequena coluna escrita por uma professora da Unesp - que no ano seguinte seria minha professora no curso de Pedagogia, na disciplina História da Educação. A nota era sobre as impressões de leitura da professora do livro recém lançado - "Crônicas de Viagem".


"Quero ler esse livro!". Fui até a livraria do centro da cidade e, como não tinha a pronta entrega, fiz o pedido. Alguns dias depois ligaram avisando que o livro estava disponível. Que grande aquisição foi aquele livro. Um verdadeiro tesouro! Apaixonei-me por aquele estilo todo particular e excepcional de narrar pessoas, lugares, sentimentos e emoções de estar/passar por aquelas paisagens e os aprendizados com aquelas pessoas, situações, circunstâncias.

O meu exemplar de "Crônicas de Viagem - volume 1", eu presenteei a uma grande amiga, acredito que quando ela completou 1/4 de século - agora essa amiga está perto de completar meio século. O fato de presenteá-la com esse tesouro particular é uma demonstração de quanto essa amiga era e é importante em minha vida.

A verdade é, preciso confessar - acredito que já confessei em outro momento - o primeiro livro de Cecília Meireles que chegou até mim, foi no Ensino Médio, empréstimo da Biblioteca da Escola Pública em que estudei - E. E. Antônio Augusto Netto, Rua Carlos Santili, 245 - Parque São Jorge, em minha cidade natal. O número 45 dessa mesma rua foi minha residência por 27 anos, até eu me casar e sair da casa dos pais. Eles moram lá até hoje. A "confissão" é que eu não consegui devolver o livro até hoje, tão penetrante e poderosa foi a descoberta daqueles poemas!

Anos mais tarde, a amiga querida Tânia Tolentino, sabendo do meu amor pela Poeta Maior da Língua Portuguesa, presenteou-me com o mesmo livro, outra edição mais nova, com dedicatória, tornando cada exemplar único, ainda que tragam o mesmo conteúdo. Estou descrevendo sobre "Melhores Poemas", uma seleção de Maria Fernanda, a terceira filha de Cecília Meireles, da Editora Global (8a. edição, de 1996, o primeiro. 14a. edição, de 2002, o segundo).




Há dois anos fiz uma postagem aqui no Blog, com uma relação dos livros que tinha até então em minha estante. De lá para cá, "novos" livros chegaram, o que significa que preciso atualizar aquela relação. Foi naquela ocasião, também por conta do meu aniversário, que ganhei uma "Cecilinha" linda, uma boneca feita por minha esposa, com detalhes de roupas e acessórios - como o colar e pulseira, incríveis.


Porém, o objetivo hoje é falar sobre a chegada de um livro, ontem, trazido pelo carteiro. Um presente. O remetente postou dia 06/01 e a intenção era chegar antes do meu aniversário (15/01). Chegou na tarde do dia seguinte, uma segunda-feira. O dia da chegada do livro até minhas mãos realmente não importa. O importante é que agora ele é, como eu disse para a pessoa, um dos exemplares mais preciosos da minha coleção.

"Flor de Poemas" eu conheci num empréstimo realizado em 2019 na biblioteca da UTFPR em Londrina, onde trabalhei por breve período (1 ano e oito meses). Achei tão maravilhoso! Ano passado encontrei um exemplar no sebo aqui em Londrina e adquiri, escrevi assim no livro: "André Coneglian, Londrina-PR, 29 agosto 2022, Sebo Capricho. Mais um exemplar precioso para minha coleção especial de Cecília; eu emprestei um exemplar parecido da biblioteca da UTFPR, quando fui professor lá (2019)".


Esse exemplar foi minha companhia por alguns meses lá em Porto União-SC, quando vivi sozinho, em razão do trabalho. Vejo agora que é a 5a edição, 1972. O exemplar mais "novo" de "Flor de Poemas" é a 6a edição, de 1983, com uma dedicatória da neta de Cecília Meireles. Sim! Fernanda Maria Correia Dias, conhecida como Fernandinha Meireles.


Em setembro de 2021, em função de um evento da Editora Scortecci, para comemorar o 120o. aniversário de nascimento de Cecília Meireles, divulgado no Facebook da minha querida professora Maria do Rosário Longo Mortatti, soube que a neta da poeta estaria no evento (online, em função da pandemia). No mesmo momento, levado pela emoção, enviei uma mensagem no direct do Instagram e, sem demora, ela respondeu e já me convidou para uma Live para celebrar os 120's aniversários de Cecília. Lives que Fernanda estava fazendo antes e seguiu fazendo. Encontros maravilhosos entre a neta e leitores, amantes, pesquisadores de Cecília Meireles.

Eu sabia da existência de um neto de Cecília Meireles - provavelmente o neto mais velho, bem perto de mim, ou seja, morando em Londrina. Soube por uma aluna, já professora, num curso de capacitação na UEL, ao declarar meu amor pela poeta, essa aluna levantou a mão e disse que tinha se consultado com um médico, neto de Cecília. Meu desejo - e expressei isso, na sala de aula: "se ele for ginecologista, ainda assim vou marcar uma consulta, só para ter a oportunidade para estar perto do DNA de Cecília Meireles". Ao buscar informações sobre o fato, acabei desistindo da ideia...

Desejo um dia - e espero que seja logo, ir ao Rio de Janeiro pela quarta vez - sendo que nas duas primeiras, fui até a frente da casa de Cecília, em Cosme Velho, 2007 e 2009 - e poder me encontrar com Fernanda, tomar um café, conversar, rir, ouvir mais histórias sobre sua avó e madrinha de batismo, tirar uma selfie juntos... Enfim, sonhar não paga imposto!

No evento da Editora Scortessi tive o privilégio de ser sorteado e ganhar o livro de uma das pesquisadoras participante da mesa, o livro "Estudo crítico da bibliografia sobre Cecília Meireles", de Ana Maria Domingues de Oliveira, Editora Humanitas/FFLCH/USP, 2001.


Sei que é um presente do Universo. Nestas férias fiz o curso on-line "Escrita de roteiro para cinema e TV", com o roteirista chileno Julio Rojas, na Plataforma Doméstika e foi incrível, saber as nuances e especificidades da escrita de um roteiro. Tudo por conta do desejo de escrever um roteiro sobre vida e obra de Cecília Meireles. Mais um grande e ousado sonho!

Em 2018, se não me engano, escrevi em minha agenda, o desejo de criar um projeto envolvendo o Universo de Cecília. Vou buscar a agenda para trazer aqui também. Juntar as evidências do Universo dizendo sim e sim para mim. Ainda bem que de lá para cá, evoluí mais um tanto. Já não há a necessidade de explicar para seu ninguém minha devoção a Cecília. Jesus, você foi "o cara", todavia, o seu "fã clube", especialmente aqui no Brasil, tem denegrido muito sua imagem. Sinto muito!



Muito obrigado, Fernanda, a neta. Tão gentil! Com sua caligrafia, escreveu na folha de sulfite branca que envolvia o livro, protegido por dois sacos plásticos transparentes: "Exmo Sr. Dr. André Coneglian" e meu endereço... Minha cara, não sou excelentíssimo, nem senhor e doutor sou, mas numa área específica do conhecimento. Gosto da ideia de que mais ignoramos do que sabemos. Sou um intensamente apaixonado pelo Ser Humano Cecília Meireles, ser humano que transformou-se em Entidade, Deusa que sempre foi!




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