Amigos de infância. Tive!
Onde estão?
Amigos de escola. Alguns!
Onde estão?
Amigos do trabalho. Raros!
Onde estão?
Amigos de vida. Existem?
Onde estão?
Amigos de tela. On/Off.
Mais de mil e contando.
André Coneglian
25/04/2025
"No meu quarto que eu lia, escrevia, desenhava, pintava, imaginava mil projetos, criava outros mil objetos... Por isso, recebi o apelido de 'Menino do Quarto', título que adotei como pseudônimo e hoje, compartilho neste 'Quarto Virtual do Menino', o que normalmente ainda é gerado em meu próprio quarto". Bem, esse início já é passado; o 'menino' se casou (set/2008); há agora dois quartos, o do casal e o da bagunça... Assim, diretamente do quarto da bagunça, entrem e fiquem a vontade! Sobre a imagem de fundo: A primeira é uma reprodução do quadro "O Quarto" de Vicent Van Gogh; a segunda, é uma releitura que encontrei no site http://www.computerarts.com.br/index.php?cat_id=369. Esta longe de ser o MEU quarto da bagunça, mas em 2007, há um post em que cito o quadro de Van Gogh. Como disse, nada mais propício!!!... Passaram-se mais alguns anos, e o quarto da bagunça, já não é mais da bagunça... é o Quarto do Lorenzo, nosso primogênito, que nasceu em dezembro de 2010!
Amigos de infância. Tive!
Onde estão?
Amigos de escola. Alguns!
Onde estão?
Amigos do trabalho. Raros!
Onde estão?
Amigos de vida. Existem?
Onde estão?
Amigos de tela. On/Off.
Mais de mil e contando.
André Coneglian
25/04/2025
Matei o deus que morava em minha ilusão
Habitar o mundo aguardando o Paraiso,
A vida eterna no céu, é droga fácil e útil (?)
Habitar o mundo incrédulo é pesado
Todavia, é um caminho sem volta.
Aprende-se a viver com o Oco.
Esperar o colapso desta engrenagem
bioquimicapsicofisiologica que
carrega minha existência.
E, enfim, o que fiz, acreditei, desacreditei,
falei, escrevi, espalhei ao vento
não terá importância alguma.
André Coneglian
17/04/2025
O verbo tentar faz diferença na sentença-título, pois eu não entendo tudo, aliás, não entendo quase nada, na vida somos todos doutores em ignorância (não a ignorância burra, pejorativa). Na vida, mais ignoramos do que sabemos. E, no pouco que vou sabendo, tento compreender, especialmente as injustiças e contradições deste mundo. Mas, sempre será uma compreensão precária, pois faltarão muitas peças, diversas variáveis para uma análise completa.
Perdi a capacidade de acreditar. Não acredito em deus ou deuses e seus livros sagrados. Acredito menos nas pessoas, talvez haja um resquício insistente de esperança nas crianças.
Porém, é sabido que o mundo as engole. Elas tentam ser diferentes, questionam. Todavia, o mundo, o sistema, a máquina não permite e qualquer tentativa de evolução/revolução é cortada, tolhida, esmagada…
Nossa existência biológica só é possível graças à evolução, aos genes do pai e da mãe, aquela conta maluca de 4 avós, 8 bisavós, 16 tataravós, etc…
Entretanto, existir como humano consciente da finitude e o nonsense de tudo é extremamente solitário. Há possibilidades de aproximações com vivos, aproximações com mortos que registraram suas próprias tentativas de compreensão de existir. Tudo ilusão, passatempo, preenchimento das horas, desculpas para seguir.
Amigos, tive alguns. Do colégio sobraram poucos, alguns eu sigo nas redes sociais. De trabalhos anteriores, outros poucos e ainda nos encontramos. As redes sociais enganam, iludem com a ideia de “amizade”... mas eu compreendo. Está tudo mundo perdido. Tudo é tão caótico. A manutenção da vida é cara e cansativa. Não sobra tempo para as neuroses alheias (a não ser o profissional que recebe para nós fazer ouvir nossas neuroses com nossas vozes).
A constatação, nua e crua, é que somos e seremos até a última alma vivente, vazios e sozinhos… mas eu entendo! Por minha vez, que trabalho 10 horas por dia, de segunda a sexta, responsável por uma família, busco seguir a cartilha, é necessário!
As poucas horas de “descanso” - pois a mente não descansa nunca, têm sido com vídeos idiotas (reels), memes, mensagens inspiradoras ou de revolta em inglês, espanhol, italiano… assistir filmes, séries, ler Cecília Meireles, às vezes, escrever, como agora…
E, me vem à mente (pois ela é carrasca) neste exato momento, aquele poema de Mário Quintana:
SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a c
asca dourada e inútil das horas.
Às 18h30, fui buscar pão no
mercado aqui próximo de casa, ainda que seja apenas duas quadras, é uma
caminhada que permite muitos pensamentos. E, pelo horário, o trânsito estava um
caos; atravessar a Avenida Higienópolis é demorado e perigoso.
Na caminhada de hoje, lembrei de um trecho da série Sense8 – a única série que me permito rever e rever os episódios, trecho do qual fiz uma postagem em 15 de maio de 2023 (Instagram/Facebook), cujo print mostro abaixo:
Segue sendo assustador imaginar que este tipo de homem continua circulando entre nós. Veja bem, não há nenhum mal em ser “simples” e guiar-se por uma filosofia de vida que se resume a “comer, beber, cagar, foder… e lutar por mais”. O problema é forçar as pessoas de sua convivência a engolir este tipo de filosofia, na maior parte do tempo de jeito truculento e intimidador.
Lembrei da canção “Casa no campo”, cantada por Elis Regina, associando com uma imagem de uma publicação do Instagram, de tantas imagens estáticas e em movimento que entupi minhas vistas (cansadas) no dia de hoje:
Eu quero uma casa
no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa
no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros
e cabras
Pastando solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a
esperança de óculos
E meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa
no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros, e nada mais
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos, meus livros e nada mais
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros, e nada mais
Desde que
conheci esta música, eu sempre quis esta casa no campo. Entretanto, como frequentei algumas casas no campo desde a infância, sabia que o trabalho no campo é árduo, cuidar de
plantações e animais. Talvez uma “simples” chácara, como a que fomos convidados
para conhecer e passar umas horinhas na piscina (ou na beira da piscina, como
eu fiquei, sendo devorado por borrachudos).
Apesar disso,
foi uma tarde muito interessante, se eu contar que a chácara é de um casal de
médicos, com uma filha única pré-adolescente, pomar com várias árvores
diferentes – jaqueira, mangueira, jabuticabeira, pitangueira, etc... e flores,
e uma “casa de boneca” de madeira enorme e, dentro da casa principal um quarto
dedicado ao hobby do homem – aeromodelismo.
É uma
realidade ainda distante de nós (minha família e eu), enfrentando o cotidiano para pagar aluguel,
alimentação e umas poucas regalias (internet, lanche de vez em quando, etc).
Quero deixar
claro que, na minha caminhada atrás dos dez pães e 1 litro de leite, eu pensei
no trecho da série Sense8 e também num filme que amo “Peixe Grande e suas
histórias maravilhosas”, apresentado pelo amigo Gilson Cardoso à nossa equipe
da época no Núcleo de Atendimento Psicopedagógico, da Secretaria Municipal de Educação
de Marília-SP.
“Peixe
Grande e suas histórias maravilhosas” tem um enredo lindo, encantador, todo
ele. Todavia, há um trecho-chave, cujo acontecimento na história faz todo
enredo possível. Se você pretende assistir ao filme – o que recomendo
fortemente, o spoiler que darei logo
mais não estraga a experiência.
O
personagem principal, quando adolescente junto com outros dois amigos, descobrem
como irão morrer, cada um de um modo e épocas diferentes. E, desde então, esta
questão me atormenta: como seria se eu soubesse o modo e quando irei morrer,
viveria os dias até lá de modo melhor e mais intenso? É possível tantas
elucubrações acerca de viver sem saber o dia e enredo da própria morte... Então
como gastar todos estes dias?
Neste
momento em que me organizei para registrar os pensamentos e os questionamentos,
obviamente, outras ideias e associações foram surgindo e, simplesmente fui
adicionando, como a letra de “Casa no Campo” e a breve descrição da visita à
chácara do casal de médicos.
Basicamente,
pensamentos e questionamentos sobre o nonsense
que é estar vivo e consciente sobre a existência, ou seja, nada novo debaixo do
sol escaldante, da promessa de chuva, de terremotos catastróficos em terras longínquas,
com pouquíssimas almas dispostas a sentarem e escutarem nossas neuroses...
E você que me lê, vivo, provavelmente (e eu, terei partido?), a vida é simples? Comer, beber, cagar, foder e lutar por mais? Ou mais do que o funcionamento fisiológico de um animal mamífero?
O título do texto é um verso do poema "Motivo" de Cecília Meireles.
Cecília linda!Eu
canto porque o instante existe
e a
minha vida está completa.
Não
sou alegre nem sou triste:
sou
poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não
sinto gozo nem tormento.
Atravesso
noites e dias
no
vento.
Se desmorono ou se edifico,
se
permaneço ou me desfaço,
- não
sei, não sei. Não sei se fico
ou
passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem
sangue eterno a asa ritmada.
E um
dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
"Sei
que canto. E a canção é tudo./ Tem sangue eterno a asa ritmada." Sangue
tomado como sinônimo de vida (sangue eterno) dada pela asa ritmada, ou seja, o
canto, a canção, o ritmo, a melodia; "E um dia sei que estarei mudo",
o eu-lírico registra a sua morte terrestre. Aparentemente contraditório:
eternidade/morte, porém, a vida daquele que entoou seu canto não se acabará.
Está eternizada por meio daquilo que cantou!
Cecília
dispensa apresentações. Poeta Maior da nossa Língua Portuguesa. Inteligente.
Livre Pensadora. Às vezes, pergunto-me se Cecília seria esta Cecília se os pais
não tivessem morrido e, portanto, não fosse criada pela avó materna, Jacinta
Garcia Benevides.
Na entrevista ao jornalista Pedro Bloch, Cecília diz que todo este cenário pré-nascimento (a morte de dois irmãos e uma irmã, do pai), a morte da mãe antes de completar três anos de idade, o cuidado extremo da avó com medo de perdê-la, como perdeu os demais netos, genro e filha, a solidão desta menina, contribuíram para sua formação, desta que produziu um inventário da Natureza e dos vastos sentimentos humanos.
Especulações
à parte, o objetivo inicial do texto foi listar os poemas que têm como título
"Canção", espalhados em seus vários livros
publicados. Há muitos destes poemas que levam "canção" com um
complemento: "Canção póstuma", "Canção do caminho",
"Canção da tarde no caminho".
Há
ainda outros poemas cujos títulos e temas se relacionam com
"canção", como "música", "serenata",
"cantiga", "som"... não incluirei na relação referência a
danças (“valsa”) ou instrumentos músicas ("guitarra").
Usei
o livro "Obra poética", edição de 1991, sétima impressão da terceira
edição, da Editora Nova Aguilar, para produzir a listagem. E, para além da
listagem, farei breves comentários sobre alguns desses poemas, algumas estrofes
e versos que me saltam aos olhos e vão direto ao coração e impregnam a alma.
Hoje pela manhã (04/03/2025), ao ir caminhar, pensei que poderia expandir o texto com relações e associações com o ato de cantar, a expressão artística de se expressar com música. Por exemplo, a máxima do filósofo Friedrich Nietzsche: "Sem a música a vida seria um erro". Lembrei de um trecho da letra "Música è", em italiano, cantada por Eros Ramazzotti e Andrea Bocelli: “Perché un mondo senza musica/ Non si può neanche immaginare”, mas toda a letra é uma celebração da música, desde as canções de ninar até poder expressar as dores e as alegrias do amor, da vida, da morte.
Ou seja, música como sinônimo de vida,
vida completa, vida realizada!
Meu
convívio com as pessoas Surdas, que perderam a audição por “N” fatores, me fez
perceber e entender que passam pela sensação auditiva de outro modo, com outros
sentidos. O som é uma força mecânica que se propaga pelo ar e, dependendo da
intensidade, é sentida pelos ossos (buscar por exemplo, a função da mastoide),
o próprio sistema auditivo funciona pela vibração dos três menores ossos do
corpo humano (martelo, bigorna e estribo).
Surdos
dançam! Surdos gostam de música!
Também
gosto de saber que o telefone, criado por Alexander Grahan Bell, só existe em
função das pessoas Surdas. A mãe de Alexander era surda e ele também se casou
com uma mulher surda. É preciso registrar que não entendiam as pessoas Surdas
como uma comunidade, que tem sua própria língua (cada país ou região com sua
Língua de Sinais).
Seguiam
uma linha eugenista – surdo não pode casar com surdo para não procriar genes da
surdez e tinham uma perspectiva corretiva – criar instrumentos, próteses e reabilitações clínicas para trazer a pessoa “deficiente” o mais próximo da “normalidade” de audição e
oralidade. Daí a invenção do telefone.
No
congresso de 150 anos de fundação do Instituto Nacional de Educação de Surdos,
no Rio de Janeiro, em setembro de 2007, tive a oportunidade de conhecer por
primeira vez a cidade do Rio de Janeiro e, entre outras aventuras, na cidade e
congresso, como ir até o último endereço onde Cecília Meireles viveu - em Cosme Velho. No congresso comprei o
livro “Sobre o silêncio”, da jornalista Andréa Perdigão.
Andréa
entrevista várias pessoas de diferentes campos de atuação e as questiona sobre
o silêncio. A entrevista que mais me marcou foi com a atriz Fernanda
Montenegro, em razão da concepção que a atriz tem sobre o silêncio. Basicamente,
que o silêncio, em vida não existe, ainda que não haja som nenhum, a mente está
funcionando, ou seja, não é silêncio.
Uma
vez vi uma reportagem sobre um povoado na Índia, cujas mães, dão aos seus
filhos uma canção como identidade, não
existe uma canção igual à outra. Aqui disponibilizo um link com uma reportagem
da BBC Brasil, e quem não quiser ler a reportagem na íntegra, recomendo ver o
vídeo com uma mãe e seu bebê no colo e ouça a mãe cantando a identidade do
bebê. A vila indiana onde os nomes das pessoas são músicas
Sei
também que há um outro povoado (nas Ilhas Canárias, La Gomera) na Espanha que
se comunicam por assobios.
Se
expandir para o reino animal a questão do canto, para além dos pássaros – como os
pinguim-imperadores que cantam para encontrar o amor, outras espécies utilizam
o canto como forma de comunicação e, portanto, de preservação e manutenção da
existência.
Voltando à Poeta Maior, Cecília foi violinista, estudou no conservatório, queria escrever uma ópera para homenagear o apóstolo Paulo. Porém, o magistério possibilitou campo de trabalho, depois o jornalismo e, em 1929, quando ficou em segundo lugar para a cadeira de Literatura da Escola Normal do Distrito Federal (Rio de Janeiro), seguiu a vida escrevendo e publicando (entre outras ações deste ser humano ímpar). Poemas de Cecília foram e seguem sendo musicados, haja vista a construção estilística da Poeta.
Já
registro aqui a ideia para um próximo texto que nasceu antes deste inclusive:
uma investigação cronológica das viagens internacionais de Cecília e as
produções que surgiram neste período ou sobre estas viagens.
Na
listagem que produzi hoje, conforme as especificações acima, encontrei 15
poemas com o título “Canção”. O livro “Viagem” e “Mar Absoluto” têm três poemas
cada um, “Dispersos” tem um e o campeão é “Retrato Natural” com oito poemas.
|
Canção,
88, 89, 91 (Viagem) |
|
Canção,
237, 282, 285 (Mar Absoluto) |
|
Canção,
329, 331, 332, 338, 340, 351, 356, 363 (Retrato Natural) |
|
Canção,
619 (Dispersos) |
“Chorarei
quanto for preciso,
para
fazer com que o mar cresça,
e o
meu navio chegue ao fundo
e o
meu sonho desapareça.”
(“Canção”, 4ª
estrofe, p. 88)
“Nunca
ninguém viu ninguém
que o
amor pusesse tão triste.
Essa tristeza
não viste,
e eu
sei que ela se vê bem...
Só se
aquele mesmo vento
fechou
teus olhos, também...
(“Canção”, 4ª
estrofe, p. 89)
“Eu te
esperei todos os séculos,
sem desespero
e sem desgosto,
e
morri de infinitas mortes
guardando
sempre o mesmo rosto.”
(“Canção”, 2ª
estrofe, p. 91)
“Ouvi
cantar de tristeza,
porém
não me comoveu.
Para o
que todos deploram,
que
coragem Deus me deu!
Ouvi cantar
de alegria.
No meu
caminho parei.
Meu
coração fez-se noite.
Fechei
os olhos. Chorei.
Dizem
que cantam amores.
Não
quero ouvir mais cantar.
Quero
silêncios de estrelas,
voz
sem promessas do mar.”
(“Canção”, na
íntegra, p. 237)
“Cada
qual tem sua vida:
uns,
de deserto, uns, de flor.”
(“Canção”, versos
11 e 12, p. 282)
“Quando
o tempo em seu abraço
quebra
meu corpo, e tem pena,
quanto
mais me despedaço,
mais
fico inteira e serena.
Por
meu dom, divino faço
tudo a
que Deus me condena.”
(“Canção”, 2ª
estrofe, p. 285)
“Eras
um rosto
na
noite larga
de
altas insônias
iluminada.
Serás
um dia
vago
retrato
de
quem se diga:
‘o
antepassado’.”
(“Canção”, 1ª
e 2ª estrofes, p. 329)
“Amadores
deste mundo,
nas
águas vosso amor ponde;
que
elas vos darão resposta,
quando
ninguém responde.”
(“Canção”, última
estrofe, p. 331)
“Quando
alguém passa e ainda murmura,
abro
os olhos, quase assustada.
A voz
humana é absurda, obscura,
sem
força para dizer nada.”
(“Canção”, 2ª estrofe,
p. 332)
“[...]
Apressa-te,
amor, que amanhã eu morro,
que
amanhã morro e não te vejo!
[..]
Apressa-te,
amor, que amanhã eu morro,
que
amanhã morro e não te escuto!
[...]
Apressa-te,
amor, que amanhã eu morro,
que
amanhã morro e não te digo...”
(“Canção”, dois
últimos versos de cada estrofe, p. 338)
“Não por
mim, mas por ti choro,
- por
teu pálido momento.
Vou-te
dando a vida toda,
e
assim mesmo vais morrendo...”
(“Canção”, última
estrofe, p. 340)
“Quero
um dia para chorar.
Mas a
vida vai tão depressa!
- e é
preciso deixar contida
a
tristeza, para que a vida,
que
acaba quando mal começa,
tenha
tempo de se acabar.”
(“Canção”, 1ª estrofe,
p. 351)
“Se de
novo passares,
não
procures por mim.
Preservemos
o fim
dos
saudosos olhares.”
(“Canção”, 1ª estrofe,
p. 356)
“Mais
que a mão do amor,
é
tépida a terra
que
guarda sem guerras
a
caveira e a flor.
Melhor
que os amigos,
fala a
solidão,
sem
opinião
sobre
o que lhe digo.
Sozinha
me vi,
Sozinha
me vejo.
Que
tristes desejos
pascem
mais aqui?
(“Canção”, 1ª
a 3ª estrofes, p. 363)
“Não
há esperança nenhuma em teu nome,
não há
duração, firmeza, verdade,
de dura
inconstância é teu nome feito
ele
mesmo se apaga, ele mesmo se apaga.”
(“Canção”, última
estrofe, p. 619)
Cecília, com a leitura desses poemas e estrofes que destaco, será que consigo enxergar/sentir um padrão? Cantas para a(s) pessoa(s) que amastes?
Aqueles
poemas com “canção” mais complemento, destaco abaixo em uma tabela. Toda a
listagem pode ser vista em PDF neste link.
|
1.
|
Canção
da menina antiga |
Vaga
Música |
145 |
|
2.
|
Canção
excêntrica |
Vaga
Música |
148 |
|
3.
|
Canção
quase inquieta |
Vaga
Música |
148 |
|
4.
|
Canção
do caminho |
Vaga
Música |
152 |
|
5.
|
Canções
do mundo acabado |
Vaga
Música |
154 |
|
6.
|
Canção
quase melancólica |
Vaga
Música |
155 |
|
7.
|
Canção
de alta noite |
Vaga
Música |
157 |
|
8.
|
Canção
suspirada |
Vaga
Música |
159 |
|
9.
|
Canção
mínima |
Vaga
Música |
163 |
|
10.
|
Canção
nas águas |
Vaga
Música |
174 |
|
11.
|
Canção
a caminho do céu |
Vaga
Música |
180 |
|
12.
|
Canção
do carreiro |
Vaga
Música |
182 |
|
13.
|
Canção
da tarde no campo |
Vaga
Música |
186 |
|
14.
|
Canção
do deserto |
Vaga
Música |
196 |
|
15.
|
Canção
para remar |
Vaga
Música |
197 |
|
16.
|
Canção
dos três barcos |
Vaga
Música |
202 |
|
17.
|
Canção
no meio do campo |
Retrato
Natural |
313 |
|
18.
|
Canção
quase triste |
Retrato
Natural |
317 |
|
19.
|
Canção
romântica às virgens loucas |
Retrato
Natural |
327 |
|
20.
|
Canção
póstuma |
Retrato
Natural |
331 |
|
21.
|
Canção
de um caminho da Espanha |
Dispersos |
607 |
|
22.
|
Canção
do deserto |
Dispersos |
610 |
|
23.
|
Canção
do menino que dorme |
Poemas
escritos na Índia |
635 |
|
24.
|
Canção
para Sarojíni |
Poemas
escritos na Índia |
656 |
|
25.
|
Cançãozinha
para Tagore |
Poemas
escritos na Índia |
663 |
|
26.
|
Cançãozinha
para Haiderabade |
Poemas
escritos na Índia |
665 |
|
27.
|
Canção
do amor-perfeito |
Retrato
Natural |
330 |
|
28.
|
Canção
do amor-perfeito |
Retrato
Natural |
340 |
|
29.
|
Canção
da indiazinha |
Crônica
Trovada |
738 |
|
30.
|
Canção
do Canindé |
Crônica
Trovada |
739 |
E
na última tabela abaixo, os demais poemas com títulos relacionados à “canção”,
sinônimos ou palavras afins:
|
1.
|
A
doce canção |
Vaga
Música |
156 |
|
2.
|
A
última cantiga |
Viagem |
086 |
|
3.
|
A
vizinha canta |
Vaga
Música |
163 |
|
4.
|
Acalanto |
Mar
Absoluto |
285 |
|
5.
|
Ária |
Retrato
Natural |
353 |
|
6.
|
Assovio |
Viagem |
128 |
|
7.
|
Balada
das dez bailarinas do cassino |
Retrato
Natural |
324 |
|
8.
|
Balada
de Ouro Preto |
Retrato
Natural |
343 |
|
9.
|
Balada
do soldado Batista |
Mar
Absoluto |
248 |
|
10.
|
Cantar |
Viagem |
120 |
|
11.
|
Cantar
de vero amor |
Dispersos |
621 |
|
12.
|
Cantar
guaiado |
Mar
Absoluto |
282 |
|
13.
|
Cantar
saudoso |
Mar
Absoluto |
271 |
|
14.
|
Cantarão
os galos |
Retrato
Natural |
317 |
|
15.
|
Cantata
da cidade do Rio de Janeiro |
Dispersos |
622 |
|
16.
|
Cantata
matinal |
Retrato
Natural |
314 |
|
17.
|
Cantata
vesperal |
Retrato
Natural |
322 |
|
18.
|
Cantiga |
Viagem |
115 |
|
19.
|
Cantiga |
Viagem |
131 |
|
20.
|
Cantiga |
Viagem |
133 |
|
21.
|
Cantiga
do véu fatal |
Vaga
Música |
168 |
|
22.
|
Cantiguinha |
Vaga
Música |
204 |
|
23.
|
Cantiguinha |
Viagem |
096 |
|
24.
|
Canto |
Dispersos |
617 |
|
25.
|
Canto
aos bordadores de Cachemir |
Poemas
escritos na Índia |
673 |
|
26.
|
Canto
da Acauã |
Crônica
Trovada |
739 |
|
27.
|
Chorinho |
Vaga
Música |
198 |
|
28.
|
Doce
cantar |
Mar
Absoluto |
246 |
|
29.
|
Embalo
da canção |
Vaga
Música |
158 |
|
30.
|
Interlúdio |
Vaga
Música |
183 |
|
31.
|
Madrigal
da sombra |
Vaga
Música |
186 |
|
32.
|
Melodia
para cravo |
Retrato
Natural |
316 |
|
33.
|
Motivo |
Viagem |
081 |
|
34.
|
Música |
Poemas
escritos na Índia |
653 |
|
35.
|
Música |
Vaga
Música |
147 |
|
36.
|
Música |
Viagem |
084 |
|
37.
|
Pequena
canção |
Vaga
Música |
163 |
|
38.
|
Pequena
canção da onda |
Vaga
Música |
145 |
|
39.
|
Ritmo |
Vaga
Música |
143 |
|
40.
|
Serenata |
Retrato
Natural |
326 |
|
41.
|
Serenata |
Viagem |
085 |
|
42.
|
Serenata |
Viagem |
113 |
|
43.
|
Serenata
ao menino do hospital |
Vaga
Música |
169 |
|
44.
|
Som |
Viagem |
099 |
|
45.
|
Som
da Índia |
Poemas
escritos na Índia |
633 |
|
46.
|
Tardio
canto |
Vaga
Música |
167 |
Encerro aqui o texto e meu árduo trabalho de hoje. Como disse em outro momento, Cecília me leva à excelência, me “obriga” a ser melhor. Pesquisei muitas palavras. Conheci um pouco a fantástica história de Sarojíni, primeira mulher presidente do congresso indiano, por conta do poema “Canção a Sarojíni”, inclusive, “Cançãozinha a Haiderabade” é a cidade de origem desta mulher histórica. Quanto aprendizado!
Porém, ainda voltarei a estas tabelas e lerei/relerei cada
poema listado, e, claro, elevar meu vocabulário e conhecimento, pois Cecília
segue sendo professora. Cecília me emociona! Suas palavras, construções de
imagens me arrebatam!
Bem,
espero não ser uma voz solitária no deserto. Se você, leitora, leitor, chegou
até aqui, agradeço e te convido a ler os poemas, as crônicas, tudo que Cecília produziu.
Merci beaucoup!