O Quarto do Menino

"No meu quarto que eu lia, escrevia, desenhava, pintava, imaginava mil projetos, criava outros mil objetos... Por isso, recebi o apelido de 'Menino do Quarto', título que adotei como pseudônimo e hoje, compartilho neste 'Quarto Virtual do Menino', o que normalmente ainda é gerado em meu próprio quarto". Bem, esse início já é passado; o 'menino' se casou (set/2008); há agora dois quartos, o do casal e o da bagunça... Assim, diretamente do quarto da bagunça, entrem e fiquem a vontade! Sobre a imagem de fundo: A primeira é uma reprodução do quadro "O Quarto" de Vicent Van Gogh; a segunda, é uma releitura que encontrei no site http://www.computerarts.com.br/index.php?cat_id=369. Esta longe de ser o MEU quarto da bagunça, mas em 2007, há um post em que cito o quadro de Van Gogh. Como disse, nada mais propício!!!... Passaram-se mais alguns anos, e o quarto da bagunça, já não é mais da bagunça... é o Quarto do Lorenzo, nosso primogênito, que nasceu em dezembro de 2010!

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quinta-feira, janeiro 02, 2025

"MUITO TEMPO ATRÁS ISSO ACONTECEU, E ESTÁ ACONTECENDO AGORA"

Londrina-PR, 01 de janeiro de 2025. [01/01/2025]

Hoje é feriado. Nos calendários comuns consta como "Confraternização Universal". Só mais uma contradição. Nada diferente da Hipocrisia Universal. Agora, em que inicio este texto, são 18h35m. Mais cedo, no banho, pensei: "quero escrever algo com minha destra hoje! Registrar a data 01/01/2025". E pensei num possível tema, por exemplo, as coincidências da minha insignificante existência. Sempre gostei de meu nome ser iniciado com a letra "A". Primeira letra do alfabeto (o alfabeto latino, claro). E as outras opções de nomes da minha mãe, tinha outro nome com a letra "A": Álvaro! Tão sonoro. Mas gosto de André Luís, ou me acostumei com ele (43 anos). É considerado o Espírito Evoluído no Espiritismo. Apenas para constar, a outra opção, a terceira, era Pedro Henrique. Também gosto de ter nascido no mês de janeiro. Primeiro mês do ano. Não é no primeiro dia do mês do ano, mas é na primeira quinzena do primeiro mês do ano. Gosto de ser um capricorniano - ou me acostumei a ser. Brinco que tenho medo dos aquarianos. E, segundo minha mãe, eu nasci prematuro, duas semanas pelo menos, ou seja, eu nasceria no final do mês de janeiro, seria um aquariano. Sou (fui) o primeiro filho dos meus pais. Assim, essa tríade, essas coincidências de ser o primeiro filho, nascido no primeiro mês do ano (de 1981), na primeira quinzena, e receber o nome com a primeira letra do alfabeto, consciente ou inconscientemente, ao longo da minha vida, me deixavam feliz. Mesmo sendo extremamente tímido, em nível patológico, o filho de pedreiro e dona de casa, bem-educado, excelente aluno, entretanto, inocente, neófito, bobo, idiota para as questões do mundo, da vida cotidiana no mundo, das malícias. É muito interessante e até assustador chegar à constatação, depois de muitos anos, de que nada do que sofri, nenhum dos meus traumas, dores e questionamentos foram exclusivos ou inéditos. Há um padrão. Nascer e crescer e tornar-se consciente e persistir nessa tomada de consciência, chegar à conclusão de sou uma repetição dos sofrimentos humanos. E por ser este indivíduo, com minha identidade, meus pais, contexto histórico e social, o egoísmo grita: tadinho! como sofre! porque? porque? Lembrei daquele aforismo de Clarice Lispector: ""Nascer estragou-me a saúde!". Acho que é assim, escrevendo de memória, sem pesquisar. E, o que fazer com a constatação de que sou só mais um? Seguir! Sou mais um peão neste tabuleiro, tenho lá minha significância pelos postos assumidos: filho, irmão, amigo, marido, pai... mas todos somos mais um, peões e peões neste imenso tabuleiro. Bem, a guisa de conclusão, ao pensar no que escreveria hoje, também pensei na imposição do sistema capitalista: "Time is money!". Celebrar o novo (ano), fazer planos, olhar o futuro, amanhã e semana que vem e os próximos meses e logo será dezembro novamente e de novo 01 de janeiro, até chegar a minha vez de ganhar uma lápide, mas seguirá a lógica: amanhã, semana que vem, e meus filhos terão 90 e 94 anos, amanhã e semana que vem e o próximo ano...Lembrei quando me deparei com outra perspectiva de tempo, ou de relação com o tempo. Os Aymarás contemplam o passado! Ou seja, à frente deles está o passado, a ancestralidade. Daí a importância da tradição oral, do respeito aos mais velhos. O futuro é desconhecido, não é possível olhar para ele com a nuca. Sinto a emoção, a paz que me invadiu naquela ocasião, a tranquilidade que esta perspectiva da relação com o tempo proporciona! Todavia, tudo é constructo, certo? Quero dizer, é mais uma das muitas possibilidades de entender e de habitar o mundo. Pena que muitas das "opções" impostas à humanidade são nocivas à maioria dos seres viventes e ao meio ambiente desses seres viventes, que, ao final das contas, é tudo uma "coisa" única. É isso, Escrevi! Aliviei esta tensão, esta necessidade de escrever, registrar algumas palavras... Nada muda. Seguirei o fluxo. Férias até dia 18/01. Depois recesso até 29/01. Dia 15/01/2025 completarei 44 voltas ao redor do sol. Talvez escreva mais ou não... André Coneglian, 19h13m.





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Depois de escrever este texto, terminei de ler o livro que Lorenzo disse para eu ler ("Quatro", da Veronica Roth, da trilogia Divergente, Insurgente e Convergente) e quis relembrar minhas impressões de leitura do livro "O oposto de todo mundo", de Joshilyn Jackson. Peguei o livro, pesquisei a postagem que fiz nas redes sociais quando encerrei a leitura à época... e o título da postagem de hoje, é uma frase dita pela mãe da narradora (Paula), uma frase marcante para mim desta história, que acaba resumindo parte do que escrevi: aconteceu há muito tempo atrás, e de novo e novamente e mais uma vez...

Ainda, encontrei uma referência a um texto do Umberto Eco ("Como começa, como termina", em "Diário Mínimo"), em que ele narra os tempos de universitário de poucas posses financeiras... o texto termina assim: "Seremos, então, mais felizes? Ou teremos perdido o frescor de quem tem o privilégio de viver a arte como a vida, na qual entramos quando os jogos já foram feitos e de onde saímos sem saber como acabarão os outros?". Os "jogos" é a vida, ou seja, os jogos já estavam acontecendo quando chegamos e iremos embora sem saber como termina, hahahahahaha



 


quinta-feira, dezembro 31, 2020

2020 ACABA HOJE, MAS 2020 NUNCA SAIRÁ DE MIM

 





Não serei prolixo nesta reflexão de final de ano. Espero não sê-lo!

O que escrever sobre 2020? Este ano tão fora de série que vivemos, e se estou escrevendo, é porque passei por ele. Não ileso, é preciso registrar!

Cada um sentiu a seu modo; vivemos e sentimos os acontecimentos internacionais, nacionais, regionais, locais e pessoais igualmente: cada um a seu modo e com intensidades distintas.

Comecei o ano em endereço novo, a mudança tinha acontecido em 14 de dezembro de 2019.

Paula, Lorenzo e Benjamin viajaram para Itanhaém-SP (05/01/2020). No meu caso foram duas semanas no litoral paulista (09 a 23/01/2020). Participamos da “campanha” do ministério infantil da igreja que fazemos parte... Quem é de igreja pode imaginar como funciona. O propósito é evangelístico, com apresentações artísticas e esportivas: danças, teatros/esquetes e futsal.

Tinha dois trabalhos como professor, em duas instituições diferentes. Abandonei um emprego, ainda em janeiro, pois eu estava longe fisicamente desse trabalho e, segundo instâncias superiores eu deveria estar no trabalho, mesmo sem alunos, sem atividades, era preciso estar lá, cumprindo hora, assinando a folha ponto dia a dia... E, tenho o direito de contestar?

Engraçado! Quando fazia horas adicionais nesse mesmo local, para além das obrigações, ninguém chamava minha atenção, seja para orientações de TCC, grupo de estudos, correções de trabalhos e tantas outras atividades que não cabem no Lattes... – eu fazia, porque amava. Tudo bem! Foi livramento, talvez!

Final de janeiro, início de fevereiro recebemos pela primeira vez em casa, Marcela, minha cunhada, irmã da Paula. Direto de Oruro, Bolívia. Ela ficou conosco duas semanas e foram dias incríveis.

Chegou para ficar a Lupita, nossa shitzu, que agora é membro oficial da família. Fez uma enorme diferença nesse período de isolamento social tê-la em casa!

A mudança de endereço teve o propósito de abrirmos um negócio particular aqui em casa. Um espaço para os cursos de Língua de Sinais e outras atividades que tínhamos em mente.

Todavia, quando iniciamos as aulas em março, logo veio a pandemia. Todo investimento com a mudança, compra dos móveis e equipamentos para a sala de aula ficou tudo parado!

O trabalho que me restou, como professor contratado de uma universidade pública foi o que nos sustentou nesse tempo todo. Não nos faltou nada, porém, tivemos que fazer muitos cortes. Sinto um peso na consciência só de pensar em reclamar, sabendo que famílias inteiras tiveram que sobreviver com os R$ 600 do auxílio emergencial, considerando as famílias que conseguiram o auxílio... tantas outras nem isso! Não vou reclamar da nossa situação financeira!

Lancei um livro! O meu livro! Não foi o lançamento planejado, mas o livro “Cartas do Menino do Quarto para o Mundo” (Apprenhedere Editora) já está nas mãos de tantas pessoas diferentes, em várias partes do Brasil: Ceará, Paraná, São Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro. Também enviei o PDF para a Holanda e Canadá, para dois amigos, Shirlene e Tiago, respectivamente. Também foi para a Nova Zelândia, para uma pessoa que “conheci” num dos grupos de superdotados adultos que faço parte.

Aprendemos a viver sem plano de saúde, pois o plano estava vinculado ao emprego que abandonei em janeiro. Estamos sendo abençoados pelo Sistema Único de Saúde. Viva o SUS!

Li muito nesse ano, como há anos não fazia. Até entrei para dois Clubes de Leitura, do qual um, participo ativamente.

Perdi minha avó materna em 20 de agosto de 2020. Ela já vinha doente, foi diagnosticado um câncer, foi debilitando e morreu. Não pude visitá-la antes e não pude ir ao velório e enterro. Parece mentira que ela não está mais neste plano terrestre, porém, quando penso em todo sofrimento de vida dela e tudo o que estamos vivendo, não estar aqui parece muito melhor acreditar que ela está onde sempre desejou estar: no céu com Jesus.

Perdi outras coisas mais: inocência, encantamento, perspectivas... fui tomado por um realismo cruel, mas tenho sobrevivido a ele. Crescer, amadurecer, evoluir dói, dói muito! Perder o chão, estar em queda-livre acordado. Questionar TUDO o que até então acreditava. Quem assistiu ao filme “Divertida Mente”, sabe quando as ilhas internas da Rilley se desintegram? A sensação é parecida. Desintegração total!

Devo registrar meus agradecimentos à minha esposa e filhos. Somos todos sobreviventes!

Apesar de tudo, seguimos!

Eu teria muito mais a escrever, todavia, eu iniciei escrevendo que não seria prolixo.

A única certeza que tenho agora é 2020 termina hoje, em poucas horas, mas 2020 não sairá de mim e, creio que ainda valerá tantas outras reflexões.

Adeus, 2020.