O Quarto do Menino

"No meu quarto que eu lia, escrevia, desenhava, pintava, imaginava mil projetos, criava outros mil objetos... Por isso, recebi o apelido de 'Menino do Quarto', título que adotei como pseudônimo e hoje, compartilho neste 'Quarto Virtual do Menino', o que normalmente ainda é gerado em meu próprio quarto". Bem, esse início já é passado; o 'menino' se casou (set/2008); há agora dois quartos, o do casal e o da bagunça... Assim, diretamente do quarto da bagunça, entrem e fiquem a vontade! Sobre a imagem de fundo: A primeira é uma reprodução do quadro "O Quarto" de Vicent Van Gogh; a segunda, é uma releitura que encontrei no site http://www.computerarts.com.br/index.php?cat_id=369. Esta longe de ser o MEU quarto da bagunça, mas em 2007, há um post em que cito o quadro de Van Gogh. Como disse, nada mais propício!!!... Passaram-se mais alguns anos, e o quarto da bagunça, já não é mais da bagunça... é o Quarto do Lorenzo, nosso primogênito, que nasceu em dezembro de 2010!

terça-feira, dezembro 30, 2025

CRONOLOGIA DE UMA AMIZADE À DISTÂNCIA

Vinte de outubro de dois mil e vinte e um foram minhas primeiras mensagens enviadas para Fernanda Maria Correia Dias, primeiro por Instagram, em sua conta @fernandameireles, onde ela pediu meu número de whatsapp. Não hesitei. Logo mandei mensagem e várias fotos dos meus livros de Cecília, a boneca de pano que ganhei de aniversário naquele ano da minha esposa.

Fernanda, imagem retirada da internet

Sim. Fernanda é uma das netas de Cecília Meireles, a Poeta. A inúmera Cecília! Poeta, escritora, jornalista, professora, ilustradora, folclorista, conferencista, diretora, tradutora... Além de mulher, filha de Matilde Benevides e Carlos Alberto de Carvalho Meireles, neta de dona Jacinta, esposa de Fernando Correia Dias, depois de Heitor Grilo, mãe de Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda.

Parece-me que são cinco netos: Ricardo, filho de Maria Elvira; Alexandre, Fernanda e Fátima, filhos de Maria Mathilde e Luiz Heitor, filho de Maria Fernanda.

Fernanda, imagem retirada da internet

Fernanda me convidou para a série de Lives que ela fazia em comemoração aos 120 anos de sua avó Cecília Meireles. A primeira Live aconteceu via Instagram no dia 27 de novembro de 2021. Fernanda tinha um roteiro com 20 perguntas sobre Cecília e sua obra. Eu me senti a pessoa mais privilegiada do Universo, por conversar com a neta da poeta por qual tenho a maior devoção.

Depois, foram mais duas Lives: 2022 e 2024. A segunda sobre a tese que Cecília escreveu para o concurso de cadeira de Literatura da Escola Normal do Distrito Federal, em 1929, intitulada “O espírito vitorioso”, a qual ela me enviou uma cópia fotocopiada e a última, sobre o livro “Rute e Alberto resolveram ser turistas”, que ela enviou arquivo digitalizado.

Foram várias interações por whatsapp, por mensagens do Instagram, várias vezes que ela pediu para replicar postagens minhas sobre Cecília Meireles em sua conta no Instagram. Em janeiro de 2023, Fernanda me enviou o livro “Flor de Poemas”, com uma dedicatória linda.



Dedicatória escrita por Fernanda, no livro "Flor de Poemas"

Escrevi um texto no blog, nesta ocasião, e colo um dos parágrafos a seguir:

“Desejo um dia - e espero que seja logo, ir ao Rio de Janeiro pela quarta vez - sendo que nas duas primeiras, fui até a frente da casa de Cecília, em Cosme Velho, 2007 e 2009 - e poder me encontrar com Fernanda, tomar um café, conversar, rir, ouvir mais histórias sobre sua avó e madrinha de batismo, tirar uma selfie juntos... Enfim, sonhar não paga imposto!”.

Infelizmente, não poderei me encontrar pessoalmente com Fernanda, pois ela faleceu, em Porto (Portugal), no dia 16 de dezembro.

Dia 15 de dezembro de 2025, foi o último encontro do Clube de Leitura de Professores, organizado pela Aliny Perrota, que ocorreu num restaurante, o livro “Giroflê, Giroflá”, de Cecília Meireles. Levei quase todos os meus livros, minhas bonecas, a de pano e a de amigurumi que Lorenzo me deu no meu aniversário de 2025. Disse: “Também trouxe meu livro com a dedicatória da neta de Cecília”, mas tinha levado o outro “Flor de Poemas”.





Fotos do último encontro do Clube de Leitura de Professores de 2025

Na manhã de 18 de dezembro, estava na escola em Cambé-PR, já sem alunos, acontecendo a distribuição de aulas dos professores de 40 horas, eu lia o livro “A lanterna das memórias perdidas” (Sanaka Hiiragi), que narra a histórias de três pessoas que morrem e são recebidas por um homem, que mostra a vida desses personagens e eles precisam escolher uma fotografia para cada ano vivido, um lugar intermediário entre a vida e a morte.

Quem me deu a notícia? Viviane, amiga querida, psicóloga do Lorenzo, a qual indiquei para Fernanda, quando ela me pediu indicação de uma psicóloga especialista em Altas Habilidades/Superdotação, para o filho de uma amiga. E foi exatamente essa amiga quem avisou Viviane sobre o falecimento de Fernanda.

Em choque, compartilhei com a Professora Rosane, que morou no Rio de Janeiro boa parte da vida e tem irmã vivendo lá, mobilizou a rede de contatos para conseguir o telefone da Fátima, irmã caçula de Fernanda. Antes de iniciar a escrita deste texto, hoje, 30 de dezembro de 2025 pela manhã, escrevi para Fátima. Até o momento, 11h00 não recebi retorno.

Atualizo que às 11h30, Fátima me respondeu e confirmou: "Nandinha... Infelizmente faleceu... me surpreendeu também... [..] Tão jovem... de idade e de espírito."

Perguntei, via mensagem se estava sabendo de algo para Maria Mortatti, minha professora da graduação e pós-graduação, na Unesp de Marília-SP, a qual fez a mediação da mesa lá em novembro de 2021, na comemoração dos 120 anos de Cecília Meireles, promovida pela Editora Scortecci. Também perguntei a Maria do Socorro França, que conheceu Fernanda pessoalmente, moradora da cidade do Rio de Janeiro e também não estava sabendo de nada. [Clique aqui para assistir à mesa da Editora Scortecci.]

Amanhã, último dia do ano, 31 de dezembro, Fernanda completaria 69 anos de idade.

“Sonhar não paga imposto”, todavia, o sonho abortado assim, é extremamente doloroso. Não digo apenas em relação à expectativa de conhecer Fernanda pessoalmente, mas a possibilidade de estreitar vínculo, o "como teria sido e não será mais", conhecer mais sobre a história de vida da neta e afilhada da Poeta Maior da Língua Portuguesa.

O vazio aqui dentro aumenta, pela ausência de um espírito tão intenso, alegre, inteligente que foi Fernandinha. Na mesma proporção, a certeza de que o tempo que tivemos juntos, ainda que à distância, foram muito significativos e são essas memórias que guardarei até o fim dos meus dias. 

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